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Arquivo de 8 de Janeiro de 2008

Saravá Mr. Bill Gates!

O ano era 1988, e eu começava a batucar herméticas linhas de texto em uma interface (ainda mais hermética) escura e vazia (como o breu do espaço sideral, uma estrela aqui, outras milhões ali), que chamavam de “DOS” (Disk Operating System). Era através daquele “C:\DOS>_” (incluo o “sublinhado” que piscava a espera de uma ordem) que eu controlaria o cérebro eletrônico. A versão do sistema operacional, MS-DOS, eu já não me lembro (3.3 ou 4.1, pouco importa) mas, uma coisa é certa, Bill Gates já era uma lenda entre os aspirantes ao maravilhoso mundo novo da microinformática.

A Microsoft daqueles dias era a “Big Green” (o padrão RGB se completava com a “Big Blue” IBM e a “Big Red” Novell). Nos laboratórios de Redmond, o “revolucionário” Windows 3.0 (um sistema gráfico de 16 bits) era engendrado. Enquanto isso, nos anigos escritórios da IBM, na Av Presidente Vargas, no Rio, eu descobriria o injustiçado (acreditem!) IBM OS/2 (rodava Windows 3.1, melhor que o próprio Windows 3.1. Foi a época em que houve a ruptura da parceria das duas empresas. A MS acabou levando a melhor, afinal também era (e continua sendo) uma empresa de marketing. Ponto para ela.

A microinformática começava timidamente a entrar nos lares brasileiros. Poucos imaginavam em 1994 (nem mesmo os usuários experimentais de internet pela EMBRATEL) que poderia um dia ameaçar o reinado absoluto dos televisores (segundo a ABINEE - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, em 2007, vendeu-se mais PCs do que TVs). Em 1994, o IBM Aptiva começava a ser vendido em lojas de departamentos. Estavamos mais ou menos no que equivaleria ao Mesozóico da Era Digital. Depois, quem viveu lembra, surgiu o “best seller” MS-Windows 95, com direito a show dos Rolling Stones no lançamento (”Start me up!”) e japoneses enlouquecidos invadindo as lojas, no primeiro dia de vendas, para garantirem suas primeiras cópias (e, claro, bugs). O mercado de software nunca mais foi o mesmo.

Enquanto isso, nos trópicos, a internet comercial era lançada em setembro de 1995 e o computador virou capa da revista Veja. Netscape e Internet Explorer começavam a “World War I” da internet ou, como ficou conhecida a disputa, a batalha dos navegadores (isso tudo a partir do IE 4.0, claro). Navegar era preciso e achava-se, naqueles dias, que a Netscape do jovem Marc Andreessen era o “absoluto ao quadrado”. Erro número 1. Não era, e o IE ganhou o mercado (em tempo: semana passada, a AOL, dona da marca, sepultou definitivamente a Netscape).

Em 1997, algo inimaginável acontece. Como em um conto de faads, muita a contragosto dos macmaníacos, Gates ajudaria a ressuscitar a Apple. Imaginem a cena (Bill Gates - via videoconference, lógico, afinal ele não é bobo) discursando na MacWorld! Neste mesmo ano, a Microsoft inventa o slogan que seria sua bússola nos anos seguintes: “informação na ponta dos dedos”.

Bill Gates lançaria dois livros (ainda bem atuais): “The Road Ahead” (1996) e “Business @ the Speed of Though” (1999). Em 1998, Passou o bastão da presidência para Steve Ballmer. Nos anos seguintes, a Microsoft é condenada em processos anti-truste e parecia que chegava ao fim um império. Erro número 2. Ainda não seria o momento. A Microsoft soube se reinventar mais uma vez. Passa a apostar com seriedade em outras frente, como o mercado dos games, inventa o MS-Windows XP, com uma interface cada vez mais bonita (e cada vez mais pesado). A força da Google (um projeto Skinneriano de Larry Page e Sergey Brin, na Stanford University) começa a incomodar o QG em Redmond. Já o MS-Office é um caso à parte. Os escritores estranharam (depois, adoraram) o Ctrl+C / Ctrl+V do MS-Word (ainda mais os que conheceram o Wordstar e Carta Certa). O editor de texto passou do desktop para notebook, depois para os palms e celulares.

Essa é uma breve (brevíssima) história da informática. O futuro, certamente, ainda nos surpreenderá. Hoje, 7 de janeiro de 2008, Mr. Gates anunciou sua aposentadoria. E o fez, como não podia deixar de ser, em grande estilo. No Consumer Electronics Show, de Las Vegas, fez seu discurso de despedida. Pela primeira vez, desde os seus 17 anos, não terá um emprego full-time na Microsoft.

Este senhor de 52 anos de idade foi um dos grandes responsáveis por um desenvolvimento jamais visto na história da humanidade. Penso que mais dois grandes empresários (visionários) devem ser acrescentados à “trindade”: Tom Watson Jr da IBM, que levou a empresa à era dos computadores, nos anos 50, e (seria injustiça não incluí-lo) Steve Jobs, para quem os computadores são obras de arte.

Eis aonde o futuro nos trouxe. Conversamos, escrevemos, nos divertimos, trabalhamos através da máquina, tão estranha e cheia de possibilidades. Criação humana que já começa a recriar o homem (como no vídeo de Michael Wesch, da Kansas State University). Computadores, sabemos, não são necessariamente bons ou maus. Armazenam e processam informações em grandes quantidades (já não mais o mágico número 7 de George Miller, mas 7 Giga X 7 Giga). Apenas isso e nada mais.

Mas, não devemos esquecer que computador mesmo, é a rede e isso muda tudo. O que já seria uma outra grande história, escrita nos Blogs, Orkuts, MySpaces e outras encarnações da Web 2.0 que encontramos por este mundo de meu Deus.

Então é isso. Valeu enquanto durou e permanecerá para sempre, pois é questão de software. Saudações ao Sr. Gates, ou, como preferiria “o poetinha” (a suegstão vem da bela voz de Clara Nunes, que me chega pelo vento, vinda de algum “mp3″ gritando na vizinhança): Saravá! Saravá Mr. Bill Gates!

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