Arquivo de 25 de Janeiro de 2008
Alfredo d’Escragnolle Taunay, autor de A Retirada de Laguna e Inocência

Em 11 de julho de 1915, José Veríssimo Dias de Matos, sob o céu do Engenho Novo (bairro da zona norte do Rio de Janeiro), dedicava aos pais sua História da Literatura Brasileira. Sabia que a literatura que se escrevia no Brasil (desde o Romantismo) era já a expressão de um pensamento e sentimento que não se confundiam mais com o português, e que, apesar da comunidade da língua,não podia ser considerada inteiramente portuguesa.
O capítulo XIV, dividido em duas seções (Prosadores e Poetas), foi dedicado aos Últimos Românticos. No quarto parágrafo do capítulo lê-se “Já começada a reação [anti-romântica], menos contra esse instinto legítimo e necessário que contra o conceito abusivo da sua aplicação, apareceu nas nossas letras um escritor que, sem embargo da sua procedência francesa e ser de raça um puro europeu, o possui [instinto nacionalista] como poucos brasileiros da nossa formação tradicional, o Visconde de Taunay”.
Alfredo d’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, nasceu no Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1843 e, acometido pela diabetes, faleceu na mesma cidade, em 25 de janeiro de 1899.
Exerceu a engenharia militar e foi oficial de exército na campanha do Paraguai. Professou letras e ciências naturais no Colégio Militar e, como José de Alencar, foi político, deputado geral, presidente de província de Santa Catarina e senador do Império.
Foi oficial da Ordem da Rosa, Cavaleiro da Ordem de São Bento, da Ordem de Aviz e da Ordem de Cristo.
Escritor prolífico (um dos mais versáteis de seu tempo, segundo o historiador e crítico literário José Veríssimo), escreveu romances, contos, ensaios, crítica literária, biografias, reminiscências e narrativas de guerra. Seus temas de interesse foram das questões sociais aos estudos etnográficos.
Como jornalista colaborou com artigos e correspondências para diversos jornais: Jornal do Commercio, Gazeta de Notícias, Comércio de São Paulo, Cidade de Campinas, Gazeta de Petrópolis, entre outros.
Empregou pseudônimos como Silvio Dinarte (com o qual estreou na literatura com A mocidade de Trajano, em 1871) e Heitor Malheiros.
Suas principais obras foram Inocência (1872), um romance de costumes sertanejo, traduzido em diversos idiomas, do alemão ao japonês e A Retirada de Laguna, publicado inicialmente em francês com o título La Retraite de Lagune, em 1871, posteriormente traduzido por Salvador Mendonça para o português em 1874.
Em Narrativas Militares (1878), livro de contos, faz um retrato honesto de importantes páginas da vida militar brasileira.
Antes, em 1869, como primeiro-tenente, fora convidadado pelo Conde d’Eu, comandante-em-chefe das forças brasileiras, para ser secretário do seu Estado-Maior, sendo encarregado de redigir o Diário do Exército (1870), cujo conteúdo foi reproduzido no livro do mesmo nome e apresenta farto material sobre a Guerra do Paraguai.
O incansável Visconde de Taunay, um dos últimos românticos brasileiros, também foi biógrafo do Visconde de Rio Branco (1884) e fundou a cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras escolhendo como seu patrono Francisco Otaviano.
Sem comentários »Robert Burns, o Filho Predileto da Escócia

No conto O livro de areia (In: O livro de areia, 1975), o narrador de Jorge Luis Borges ao descobrir que seu interlocutor (um homem alto, de traços mal conformados, vendedor de bíblias e outros livros impossíveis) nascera na Escócia, nas ilhas Orcadas (arquipélago localizado no Mar do Norte, cerca de 16 Km ao largo do Norte da Escócia), gentilmente afirma que estimava a Escócia por amor a Stevenson e Hume. Imediatamente, é corrigido pelo misterioso e melancólico escocês: “e a Robbie Burns”.
Do poeta escocês Robert Burns (também conhecido como O Filho Predileto da Escócia ou O Bardo) sabemos que nasceu em 25 de janeiro de 1759, a duas milhas de Ayr, Alloway, South Ayrshire, Escócia. Foi o mais velho dos sete filhos de William Burness e Agnes Broun, fazendeiros pobres.
Sabemos também que foi um autodidata, tendo recebido pouco estudo formal (grande parte de seus próprios pais).
De espírito inquieto e insatisfeito, apaixonou-se por uma jovem chamada Jean Armour em meados da década de 1780. Recusou casar-se quando ela ficou grávida. Mais tarde, depois de várias idas e vindas, finalmente se casaram. Tiveram 9 filhos. O caçula nasceu no dia do funeral de Burns.
Sua primeira coletânea de poemas, Poems, Chiefly in the Scottish dialect foi publicada em abril de 1786 e rapidamente o tranformou no poeta preferido da elite intelectual de Edinburgo. Aos 22 anos entrou para a Maçonaria.
Burns ainda é amado e celebrado como o autor do poema e da canção do famoso Hino de Ano Novo For Auld Lang Syne, tradicionalmente cantado em países da lingua inglesa, na noite de 31 de dezembro. É popularmente conhecido como o Hino Desconhecido já que sua melodia e mais recordadada do que a sua letra.
No Brasil, For Auld Lang Syne, virou a popular Valsa da Despedida, em versão de Alberto Ribeiro e Braguinha, o João de Barro.
O dia de seu nascimento (celebrado como um feridado nacional na Escócia) é comemorado por seus fãs, nos países da língua inglesa, com alegres festas e a tradicional Burns Supper (também conhecida como Burns Night ou Noite de Robert Burns).
Robert Burns morreu de febre reumática em 21 de julho de 1796, aos 37 anos, em Dumfries, Escócia. Seus restos mortais encontram-se em um mausoléu na igreja de St. Michael, localizado na mesma cidade, e que foi erguido com dinheiro recolhido de contribuições públicas (o Principe Regente, mais tarde George IV, também fez sua contribuição).
Leia as obras de Robert Burns no Project Gutenberg (em inglês).
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