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Alfredo d’Escragnolle Taunay, autor de A Retirada de Laguna e Inocência

Taunay

Em 11 de julho de 1915, José Veríssimo Dias de Matos, sob o céu do Engenho Novo (bairro da zona norte do Rio de Janeiro), dedicava aos pais sua História da Literatura Brasileira. Sabia que a literatura que se escrevia no Brasil (desde o Romantismo) era já a expressão de um pensamento e sentimento que não se confundiam mais com o português, e que, apesar da comunidade da língua,não podia ser considerada inteiramente portuguesa.

O capítulo XIV, dividido em duas seções (Prosadores e Poetas), foi dedicado aos Últimos Românticos. No quarto parágrafo do capítulo lê-se “Já começada a reação [anti-romântica], menos contra esse instinto legítimo e necessário que contra o conceito abusivo da sua aplicação, apareceu nas nossas letras um escritor que, sem embargo da sua procedência francesa e ser de raça um puro europeu, o possui [instinto nacionalista] como poucos brasileiros da nossa formação tradicional, o Visconde de Taunay”.

Alfredo d’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, nasceu no Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1843 e, acometido pela diabetes, faleceu na mesma cidade, em 25 de janeiro de 1899.

Exerceu a engenharia militar e foi oficial de exército na campanha do Paraguai. Professou letras e ciências naturais no Colégio Militar e, como José de Alencar, foi político, deputado geral, presidente de província de Santa Catarina e senador do Império.

Foi oficial da Ordem da Rosa, Cavaleiro da Ordem de São Bento, da Ordem de Aviz e da Ordem de Cristo.

Escritor prolífico (um dos mais versáteis de seu tempo, segundo o historiador e crítico literário José Veríssimo), escreveu romances, contos, ensaios, crítica literária, biografias, reminiscências e narrativas de guerra. Seus temas de interesse foram das questões sociais aos estudos etnográficos.

Como jornalista colaborou com artigos e correspondências para diversos jornais: Jornal do Commercio, Gazeta de Notícias, Comércio de São Paulo, Cidade de Campinas, Gazeta de Petrópolis, entre outros.

Empregou pseudônimos como Silvio Dinarte (com o qual estreou na literatura com A mocidade de Trajano, em 1871) e Heitor Malheiros.

Suas principais obras foram Inocência (1872), um romance de costumes sertanejo, traduzido em diversos idiomas, do alemão ao japonês e A Retirada de Laguna, publicado inicialmente em francês com o título La Retraite de Lagune, em 1871, posteriormente traduzido por Salvador Mendonça para o português em 1874.

Em Narrativas Militares (1878), livro de contos, faz um retrato honesto de importantes páginas da vida militar brasileira.

Antes, em 1869, como primeiro-tenente, fora convidadado pelo Conde d’Eu, comandante-em-chefe das forças brasileiras, para ser secretário do seu Estado-Maior, sendo encarregado de redigir o Diário do Exército (1870), cujo conteúdo foi reproduzido no livro do mesmo nome e apresenta farto material sobre a Guerra do Paraguai.

O incansável Visconde de Taunay, um dos últimos românticos brasileiros, também foi biógrafo do Visconde de Rio Branco (1884) e fundou a cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras escolhendo como seu patrono Francisco Otaviano.



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