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Arquivo de 28 de Janeiro de 2008

El Libro de Los Juegos: o diário de bordo (Parte I)

Dom Casmurro e O enxadrista

O banner atual do Pontolit apresenta como imagem de fundo um autógrafo de Machado de Assis na folha de rosto do Dom Casmurro ofertado ao Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira (mais tarde, sucessor de Machado na cadeira 23 da ABL). A data é o longínquo 26 de março de 1899.

Este exemplar raro encontra-se sob a proteção da Biblioteca Lúcio de Mendonça da Academia Brasileira de Letras e é o mesmo que aparece na foto, ao lado do meu notebook. O editor de textos está aberto no conto O enxadrista (ou o capítulo suprimido de Dom Casmurro) que fará parte do meu próximo livro (de contos) intitulado El libro de los juegos.

Como uma idéia leva a outra (e mais outras), desse conto, surgiu o ensaio Machado de Assis, o enxadrista que vocês já podem ler aqui em Pontolit.

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Sidonie-Gabrielle Colette, autora de Gigi

Colette

George Simenon, que segundo Andre Gide foi o maior romancista da França contemporânea, disse em entrevista à prestigiosa Paris Review que apenas um conselho geral (dado por uma escritora) vinha lhe sendo muito útil. Segredou Simenon que na época em que escrevia contos para o jornal Le Matin e Colette era a editora de literatura, dois contos seus foram devolvidos. Simenon revisou e reenviou os contos. Voltaram. Novas revisões, novos reenvios e os contos novamente retornaram. Finalmente, Colette lhe disse: “Olhe, está literário demais, sempre literário demais”. Então, Simenon passou a seguir o seu conselho: cortava adjetivos, advérbios e todas as palavras que estavam no texto apenas para fazer efeito.

Sidonie Gabrielle Colette nasceu em Saint-Sauveur-en-Puisaye, Borgonha, França, em 28 de janeiro de 1873 e pertenceu à geração de Marcel Proust, Paul Valéry, André Gide e Paul Claudel. Foi a autora de Gigi (1944).

Aos 20 anos, Colette casou-se com o impostor Henri Gauthier-Villars. Sua carreira de escritora começou sob o pseudônimo Willy, usado por seu marido. A série de romances Claudine (1900-1903) foi escrita sob o julgo de Gauthier-Villars. Conta-se que Colette era mantida presa em cárcere privado de onde só saia quando entregava ao marido um número mínimo de páginas escritas.

Separou-se em 1905. No ano seguinte realiza performances em La Chatte Amoureuse e L’Oiseau de Nuit. Inicia relação homossexual com Mathilde de Morny, Marquesa de Belbeuf, apelidada de Missy, que patrocinava eventos no Moulin Rouge e era descendente em linha direta da imperatriz Josefina. Missy passa a ser sua protetora. Em 1910, publica La vagabonde.

Em 1912 Colette casa-se com Henri de Jouvenel des Ursins, editor do jornal Le Matin. Escreve crônicas e contos para o jornal. Após a guerra, em 1920, foi condecorada Chevalier dans l’Ordre de la Légion d’Honneur. Foi a primeira mulher a ser admitida na prestigiosa Academie Goncourt. Em 1953, Colette torna-se Grand Officier de la Légion d’honneur. Em 1935, casou-se com Maurice Goudaket. Sofreu de artrite em seus últimos anos. Faleceu em Paris, no dia 3 de agosto de 1954. Foi velada com honras de chefe de estado apesar da Igreja ter lhe recusado ritos católicos (o motivo alegado foi o fato de ser divorciada).

Colette foi uma mulher a frente de seu tempo. Sua fama na França não foi menor do que as de Gertrude Stein (1874-1946) e Edith Piaf (1915-1963).

Acesse as obras de Colette no Project Gutenberg (inglês e francês).

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