Arquivo de 1 de Fevereiro de 2008
O Fator Harry Potter e o Mercado Futuro de Livros (ou ainda, sobre a importância de se gerenciar as expectativas)

O texto a seguir é de julho, época em que Harry Potter 7 foi lançado. Em breve, pretendo voltar (em artigos específicos) a alguns dos tópicos aqui discutidos.
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Tijuca, 01 de fevereiro de 2008.
Na última sexta, 20 de julho, o novo livro de J. K. Rowling, Harry Potter and the Deathly Hallows, chegava às mãos de seus ávidos leitores (a estratégia de marketing previa um lançamento simultâneo em diversas partes do mundo). Entretanto, nem tudo saia como previsto no script. Aparentemente, o plano das editoras Bloomsbury e Scholastic de manterem sigilo e suspense absolutos sobre o conteúdo do último livro da série criada por Rowling, não levou em conta o fato de estarmos vivendo novos (e bastante dinâmicos) tempos.
Qualquer um com o mínimo conhecimento de como as coisas funcionam no “admirável mundo digital e online” dos dias de hoje, esperaria o vazamento antecipado do conteúdo do romance na internet. O “plano” das editoras tinha tudo para dar errado e foi justamente isso o que aconteceu.
Fora a inesperada resenha publicada no The New York Times, um dia antes do lançamento previsto (o que já poderia ser considerado um reflexo de uma estratégia mal sucedida), cópias digitais do livro já circulavam na grande rede. Sob muitos aspectos (acreditem), existem razões para que esse acontecimento seja considerado por todos (até por editores e autora) bastante positivo (e instrutivo).
No mês passado, a Reuters noticiou (eu postei aqui ) que um hacker assegurava ter conseguido uma cópia digital do sétimo livro da série criada por J.K. Rowling, invadindo um computador da editora londrina Bloomsbury Publishing.
Livros falsos já eram distribuídos digitalmente há meses em diversos sites, o que só fazia aumentar a expectativa em relação ao futuro lançamento.
Esta semana, soubemos do trabalho colaborativo, verdadeira “task force”, de um grupo de internautas brasileiros que se uniram para traduzir o livro de J. K. Rowling, e o fizeram em apenas 3 dias. A editora Rocco que lançará a versão do romance em português apenas em Novembro, decidiu, pelo menos a priori, não tomar nenhuma atitude legal contra os adolescentes que traduziram e distribuiram o livro.
É uma atitude sensata. Que a editora use a experiência como uma oportunidade de aprendizado e observação, por exemplo, de como será acelerar, no futuro, o seu processo produtivo. Velocidade, quando se fala de internet (seja como aliada ou oponente) é uma questão de sobrevivência.
Estamos (e devemos continuar) aprendendo com os mais jovens que usam esse meio ainda muito estranho para os que estão acostumados com o velho modelo de se fazer negócios. A comunicação global é uma realidade. Um livro lançado, seja em que parte do mundo for, poderá rapidamente estar disponível (caso realmente gere expectativas) em poucas horas, seja em sites de compartilhamento de arquivos como o esnips, por exemplo, ou em servidores “peer-to-peer” (P2P) como os de “bit torrent”.
Este novo modelo de negócios (de comunicação, trabalho, enfim, de tudo) parece ainda estar longe da atenção de muitos editores. Penso que seja necessário aprenderem, rapidamente, a lidar com essas características. Encontrar os papéis desempenhados pelos que editam as obras e pelos que fabricam os livros, nos ensina o historiador Roger Chartier, significa colocar o problema de suas redistribuições no mundo digital e iniciar uma necessária reflexão sobre diferença entre comunicação e edição eletrônicas. Repito: é questão de sobrevivência.
É inegável o sucesso da expectativa pelo lançamento de Harry Potter and the Deathly Hallows. As vendas antecipadas do livro em sites como os da Amazon e Barnes & Nobel, bateram todos os recordes. Seria possível que estejamos vivendo, em termos de mercado literário, algo próximo à experiência do Mercado de Futuros de Ações?
O site da BOVESPA informa que uma operação em seu Mercado Futuro de Ações compreenderá a compra ou a venda de ações listadas em Bolsa a um preço acordado entre as partes para liquidação em uma data futura específica previamente autorizada. Os Mercados Futuros no mundo, informa ainda o site da BOVESPA, têm sua história diretamente vinculada à necessidade de administração do risco de alterações nos preços dos ativos, originalmente commodities e, mais recentemente, também ativos financeiros.
A partir desse exemplo vindo do mercado financeiro, duas perguntas se fazem necessárias. A primeira é: o que representa efetivamente um livro depois de seu lançamento, depois de chegar à mão de seus leitores (às vezes até antes) e na iminência de, a qualquer momento, ser disponibilizado na internet? Será que talvez passe a ser nada mais do que uma commodity?
Outra pergunta se faz necessária (afinal, o mundo digital é cheio de possibilidades): o que realmente pode significar esse mercado de expectativas gerado a partir do futuro lançamento de um livro? Usemos esse exemplo desse “Fator Harry Potter”: que novas oportunidades são proporcionadas pelas tecnologias de rede para as editoras que saibam explorar corretamente essa nova característica de mercado?
Infelizmente, ainda não temos todas as respostas (continuamos avidamente a procura delas). Mas, é inegável que já estamos vivendo uma reformulação do mercado editorial e dos papéis de todos os seus atores. É bem possível, inclusive, que o próprio conceito de “livro” esteja mudando. Editores, autores e leitores devem se transformar em agentes transformadores ativos nesse processo inevitável.
1 comentário »Neste dia: 01 de Fevereiro

Em primeiro de fevereiro de 1814 O Corsário (The Corsair), o poema “best seller” de Lord Byron (1788 - 1824) foi publicado. O Corsário teve toda a sua primeira edição de 10.000 cópias esgotada. Foi a partir desse poema que Giuseppe Verdi se inspirou para criar a ópera “Il Corsaro“. Em “Senhora” (1875), José de Alencar cita o famoso poema de Byron: “Um dos mais lindos poemetos de Byron é o Corsário; dizia Seixas”. Mas, Lord Byron não era o único grande “escritor” da família. Sua filha, Augusta Ada King, Condessa de Lovelace (1815 - 1852) é considerada a primeira programadora (de computadores) da história (A linguagem de programação “Ada” recebeu o nome em sua homenagem). Ada “escreveu” o algoritmo de um programa que poderia utilizar a máquina analítica do matemático inglês Charles Babbage (1791-1871), que originou a idéia de um computador programável. No final das contas, apesar de nem sempre entendermos muito bem como funcionam, poesia e programas de computadores são sempre uma questão de lógica.
Em 1 de fevereiro de 1884, foi publicado o primeiro fascículo do Oxford English Dictionary (OED), considerado o mais detalhado e exato dicionário da língua inglesa. Os planos para o dicionário começaram em 1857 quando os membros da Philological Society de Londres, que acreditavam que não existia disponível, um dicionário da língua inglesa que fosse atualizado e livre de erros, decidiram produzir um que cobriria todo o vocabulário do período Anglo-Saxão (1150) até o presente. A primeira edição foi completada em 1928, com 10 volumes e 15.490 páginas, ou seja, 71 anos depois do início dos trabalhos. Assista um vídeo do Hystory.com sobre o lançamento do OED.
Neste dia, nasceu o escritor russo Eugene Zamyatin (1884), famoso pelo seu romance Nós, uma história de um futuro distópico que influenciou os romances Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, 1984, de George Orwell e Anthem, de Ayn Rand. Nasceram também nesse dia Langston Hughes (1902) poeta, novelista, dramaturgo, contista e colunista americano; H. Richard Hornberger (1924), escritor americano autor de MASH (sob o pseudônimo de Richard Hooker); Meg Cabot (1967), autora americana e Anália Franco (1856), escritora brasileira. Morreu neste dia, Mary Wollstonecraft Shelley (1851), escritora inglesa, filha do filósofo William Godwin e da pedagoga e escritora Mary Wollstonecraft. Casou-se com o poeta Percy Bysshe Shelley em 1816, depois do suicídio da primeira esposa. Sua obra mais famosa é Frankenstein escrita entre 1816 e 1817. O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental. (Fontes: Wikipedia, Salon e The History Channel)
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