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Arquivo de 5 de Fevereiro de 2008

(Revisando) Videoteca de la memoria literaria

Cortázar, Rulfo, Borges, Puig, Camilo Cela, Carpentier… nenhum deles escapou do olhar aguçado do experiente jornalista Joaquín Soler Serrano que a partir da década de 1970, em seu programa A fondo, pela Radiotelevisión Española (RTVE), inaugurava uma nova forma de jornalismo cultural. No calor da conversa, Serrano procurava decifrar escritores, músicos, políticos, pintores e políticos. As conversas duravam cerca meia hora ou podiam passar de uma hora e meia (como o caso da conversa com Jorge Luis Borges). A preciosa coleção da Videoteca de la memoria literaria, contendo o acervo das entrevistas de Serrano entre 1976 e 1981 para a RTVE, começa a aparecer na internet. Algumas delas, podem ser acessadas diretamente a partir do artigo Vídeos sobre Literatura na Grande Rede. A maior partes do acervo é encontrado no Google Vídeos (com o recurso de download para Ipod e Sony PSP). Ao longo de vários anos o programa A fondo entrevistou mais de 300 personalidades da cultura e das ciências. A busca pelos entrevistados não era tarefa fácil (Serrano presta seu testemunho pessoal no início da entrevista com Cortázar). Alguns se negavam a aparecer diante das câmeras, como Rulfo e Onetti. Uma curiosidade: o eloqüente “maestro”argentino Jorge Luis Borges, a princípio, se negava a ir ao programa. Depois que foi, confessaria anos depois Serrano, se convidava para voltar praticamente todas as semanas.

No Brasil, a ótima TV Cronópios, projeto liderado por Pipol, Edson Cruz e Egle Spinelli, começa a formar um importante (e interessante) acervo deste momento da literatura brasileira. Vale conferir.

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O passado preserva-se a si mesmo, automaticamente. Acompanha-nos na sua totalidade a cada instante


Roberto Carlos e Orlando Silva cantam A Deusa da Minha Rua

Orlando Garcia da Silva (1915-1978) foi um dos mais importantes cantores brasileiros da primeira metade do século XX. Atraía os fãs de tal forma que o locutor Oduvaldo Cozzi passou a apresentá-lo como “o cantor das multidões”. No vídeo, Roberto ergue um brinde aos músicos, compositores e cantores da música popular brasileira, com a participação de Aracy de Almeida, Carlos Galhardo, Isaurinha Garcia, Linda Batista, Moreira da Silva e Orlando Silva.

A duração é o progresso contínuo do passado que morde o futuro e vai inchando à medida que avança. E, como o passado cresce sem parar, não há nenhum limite à sua preservação. A memória […] não é uma faculdade de arrumar recordações numa gaveta, ou de inscrevê-las num registo […] Na realidade, o passado preserva-se a si mesmo, automaticamente. Provavelmente acompanha-nos na sua totalidade a cada instante […] (Henri Bergson)

Uma obra não resolve nada, assim como o trabalho de uma geração inteira não resolve nada. Os filhos - o amanhã - recomeçam sempre e ignoram alegremente os pais, o já feito. É mais aceitável o ódio, a revolta contra o passado do que esta beata ignorância. O que havia de bom nas épocas antigas era a sua constituição graças à qual se olhava sempre para o passado. Este o segredo da sua inesgotável plenitude. Porque a riqueza de uma obra - de uma geração - é sempre determinada pela quantidade de passado que contém. (Cesare Pavese)

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