Arquivo de 7 de Fevereiro de 2008
Neste dia: 08 de Fevereiro

Neste dia, nasceu Jules Gabriel Verne Allote, escritor francês, autor, entre outras obras de A volta ao mundo em oitenta dias e Vinte mil léguas submarinas, em Nantes (1828). Nasceram também neste dia, Toni Morrison, escritora americana, ganhadora do Prêmio Nobel (1931); John Ruskin, autor inglês (1819); Kate Chopin, escritora americana (1850); e John Grisham, escritor americano (1955). Faleceu neste dia, Júlio de Castilho, jornalista, poeta, escritor e político português (1919). Fonte: Wikipedia.
Sem comentários »ESPECIAL JULES VERNE 180: Jules Verne e o Segredo da Eterna Juventude, Por C. S. Soares

Onde a juventude em flor mostra a riqueza de seus tesouros
Jules Verne
Jorge Luis Borges, o visionário argentino, em seu prefácio de A Máquina do Tempo e O Homem Invisível, de H. G. Wells, publicados pela editora Hyspamerica, na década de 80, resignava-se: “As ficções de Wells foram os primeiros livros que eu li; talvez sejam os últimos”. Para que se cumprisse o que estava escrito, “el maestro” morreria poucos meses depois. Como exercício meramente lúdico, um inofensivo (assim o espero) jogo de palavras, imagino que se trocássemos as posições das palavras ficções e livros na frase de Borges não estaríamos longe de uma segunda realidade. Ainda que, desde então, a realidade venha competindo com a ficção (me arriscaria afirmar que, em relação ao que chamamos de “fantástico”, tenha vencido), existem livros que jamais fecharemos, seguirão conosco vida afora. Livros, cujas leituras e releituras (mesmo depois de virada a última página), jamais concluiremos.
É uma experiência (fantasmática) que vivencio com os livros de um outro mestre da Ficção Cientifica, contemporâneo de Wells: Jules Verne. Cortázar, o mestre argentino do conto fantástico, confessou em uma entrevista a Joaquín Soler Serrano a mesma admiração por Verne (Cortázar intitularia seu livro de contos, de 1967, La vuelta al día en ochenta mundos em homenagem ao autor do clássico A volta ao mundo em oitenta dias).
A partir das obras de Verne e Wells (como concluíra Borges em seu já citado prefácio) “a imaginação aceitava o prodigioso, sempre que sua raiz fosse científica, não sobrenatural”.
Jules Gabriel Verne Allote, considerado por muitos o pai deste gênero literário chamado Ficção Científica, nasceu no nº4 da rua Olivier-de-Clisson, Ile Feydeau, Nantes, França, em 8 de fevereiro de 1828.
Foi o mais velho dos cinco filhos de Pierre Verne (advogado) e Sophie Allote de la Fuÿe (de família burguesa) e desde cedo teve como grande estímulo para o desenvolvimento da imaginação do autor o fato de viver na proximidade do porto e das docas de Nantes.
Sabemos de Verne que acompanhou o pai na sua mudança para Paris, em 1848, em busca de uma melhor clientela. Lá dividia o tempo entre o estudo do Direito e a Literatura. Conheceu os escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo e foi secretário do Thêatre Lyrique. Sua primeira peça de teatro Les Pailles Rompues estreeou em Paris no ano de 1850. Verne contava então com 22 anos. Em 1851, publicou o seu primeiro conto de ficção científica, Un Voyage En Ballon.
Em Paris, estudou o direito. Trabalhou como corretor de ações e casou-se com Honorine de Viane Morel, viúva com duas filhas, em 1857. Em 1861, nasceu seu único Michel Jean Pierre Verne.
Em uma entrevista publicada pelo Jornal do Commercio em 15 de outubro de 1902, três anos antes de sua morte, Jules Verne previu: “O mundo do futuro só apreciará como documentos psicológicos ou sociais dos nossos tempos, as coleções de jornais e de revistas. Também se interessará um pouco pelas histórias fantásticas, científicas, na forma de um Edgar Poe, de um Villiers de L’Isle-Adam, de um Wells e de um, Jules Verne”.
Verne, o arquiteto do fantástico, previu em suas obras inovações tecnológicas que, hoje, fazem parte do nosso dia a dia: o helicóptero, a televisão, o satélite artificial, o videocassete, o plástico, a videoconferência, entre outros. Considera-se possível que tenham surgido, justamente, por causa da leitura de seus livros, onde sua própria imaginação, registrada em suas histórias fantásticas, antecipava a realidade, algo como um “penso, logo existe”, o pensamento como construtor da realidade.
Arrisco-me a dizer que a própria conquista dos ares pelo brasileiro Santos-Dumont se deve, em grande parte, à sua relação com os livros de Verne. Santos-Dumont afirmava ter sido inspirado pelas aventuras criadas pela imaginação do escritor francês. Com o capitão Nemo, o jovem Santos-Dumont explorou os oceanos; com Phileas Fogg, deu a volta ao mundo em 80 dias; com Heitor Servadac, navegou o espaço. Mais tarde, quando o próprio Santos-Dumont já era quase visto como um dos fantásticos personagens de Verne, se tornaria amigo do escritor e, juntos, ajudariam a fundar do Aeroclube da França.
Pierre Lagrange, em seu interessante artigo, intitulado “Ciência a serviço da arte”, publicado pela Scientific American Brasil, na sua série Exploradores do Futuro (especial Jules Verne) reconhece: “Em seus romances, Jules Verne faz um inventário dos conhecimentos científicos de sua época”. De fato, existia entre Verne e seu editor, Pierre Jules Hetzel, um contrato que colocava Jules Verne na incumbência de resumir todos os conhecimentos geográficos, geológicos, físicos, astronômicos, acumulados pela ciência moderna e refazer, sob a forma atrativa e pitoresca que lhe é própria, a história do Universo.
A respeito dos livros que nunca serão concluídos, no meu caso específico (cada um de nós terá o seu próprio exemplo), me vem a memória justamente A volta ao mundo em oitenta dias.
Não por acaso, este livro inesgotável foi um dos primeiros a ser escolhido pelos engenheiros de software do Google Books para incorporar a ferramenta que integrar o conteúdo digital de um livro à visualização interativa de lugares mencionados na história, através do Google Maps.
É deste romance, a antológica explicação, no capítulo final, do dia ganho por Phileas Fogg graças aos fusos horários (o que o torna o livro ideal para esse experimento do Google). O livro é o romance de Verne mais traduzido e publicado até hoje.
Jules Verne, nascido em 8 de fevereiro de 1828 na cidade de Nantes e morto em 24 de março de 1905, depois de uma crise de diabetes, encontra-se enterrado no cimetiere de la Madeleine, em Amiens.
Jules Verne, como escritor, parece ter atingido o que preconiza o título da impressionante escultura, criada por Albert-Dominique Roze (1861-1952), que enigmatiza seu túmulo (existem homens para os quais não existe sepultura que os caiba): Rumo à Imortalidade e à Eterna Juventude.
Imortalidade e juventude que compartilha com gerações e gerações de leitores há mais de 140 anos (desde seu primeiro livro, Cinco Semanas em um Balão, publicado em 1863). É isso: a fantástica viagem que representa a leitura de um livro de Jules Verne (talvez, o mais desconhecido dos homens) tem mesmo esse poder de nos tornar eternamente jovens.
Sem comentários »