Arquivo de 11 de Fevereiro de 2008
Livros não são produtos, são serviços

A HapperCollins coloca livros inteiros de seu catálogo para acesso grátis na internet. O Random House Publishing Group começa a vender capítulos avulsos. As editoras americanas personalizam, cada vez mais, seus serviços. O “livro” não é apenas de papel, mas um conceito. Livros são serviços on demand. O poder de escolha está na mão do leitor (o consumidor) e ele é exigente, quer serviços cada vez mais adaptados às suas necessidades, não o contrário.
O leitor escolhe o “serviço” que deseja e a editora aumenta o seu leque de diferentes ofertas (a partir de um mesmo conteúdo) para atender essa demanda em multiplas camadas.
A pergunta que me vem à cabeça é: será que o nosso mercado editorial está preparado para se adaptar rapidamente a esta nova realidade?
Vejam bem, à medida que a tecnologia se torna mais e mais ubíqua e que ebooks, sites, celulares se tornem alternativas ergonomicamente viáveis de acesso à informação, à leitura e os preços sejam acessíveis (o que, estimamos, não levará mais do que uns 2 anos), será muito difícil desestimular o leitor a não comprar livros on-line.
Além disso, do lado de lá da “cadeia criativa”, o que impedirá o escritor de oferecer seu “serviço” (mesmo que só escreva em português) por uma editora estrangeira?
Saibam que isso já uma realidade em sites como a Amazon.com, por exemplo, que já oferece uma área on-line para a venda de textos curtos por centavos de dolares. Divide o lucro diretamente com o escritor. Sem intermediários.
O mesmo acontece em sites como o Lulu.com (cujo slogan é “Buy in the global marketplace” e apresenta uma widget na página principal, mostrando os livros de autores das mais variadas partes do mundo, recentemente incluídos em seu banco de dados para venda on-line). Aos bolsos do escritor não chegam mais apenas 10% sobre a venda de um livro, ele é que define o preço por unidade e paga 5% de comissão (no caso de Lulu.com) à loja on-line, como aluguel pelo ambiente de e-commerce utilizado. Na área de Online Marketing, o próprio autor pode definir e contratar uma estratégia de divulgação de seu livro.
O perfil do editor, claro, não morre. Mas precisará se readaptar e agregar novos tipos de valores ao processo como um todo.
Hoje, já é possível fazer um curso on-line em uma Universidade de outro Estado ou mesmo de fora do país sem sair de casa. Praticamente qualquer workflow (incluindo a comercialização de livros) poderá ser replicado de maneira mais eficiente através da internet (basta nos lembrar da mão de obra remota, especializada e mais barata, oferecida pelo grupo BRIC composto por Brasil, Russia, India, China). O mundo deixa de ter fronteiras. Vivemos novos tempos.
Sem comentários »Editora Random House testa venda por capítulos
Com base em sua experiência no mercado musical, a Random House Publishing Group vai começar a vender capítulos avulsos de um livro popular para avaliar se o leitor se interessará em comprar apenas partes de um livro. Através da modalidade de venda por capítulos, a Random colocará a disposição dos leitores cada um dos seis capítulos e epílogo de “Made to Stick: Why Some Ideas Survive and Others Die” por USS$2.99. (Fonte: The Wall Street Journal)
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