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Arquivo de 17 de Fevereiro de 2008

The grey album = The white album + The black album. Boa cópia ou má cópia?


DJ Danger Mouse “masheando” Jay-Z com the Beatles

Resumo da ópera: em 1968, The Beatles lançam The white album. Passam-se 35 anos e Jay-Z lança The black album. Aí, aparece o DJ Danger Mouse (codinome de Brian Joseph Burton), mixa os dois e lança, em 2004, The grey album. Esse remix de música e vídeos recebe o nome (em tempos de internet) de mashup.

The grey album é um dos mais famosos exemplos de mashup. Mas não ficou só aí. Depois de The grey album, veio The grey tuesday (a Terça-feira cinza), um esforço coordenado em que mais de 170 websites armazenaram e distribuíram The grey album na terça-feira, 24 de fevereiro de 2004, com o objetivo de estimular a rediscussão das leis de copyright em relação ao sampling de músicas. Mais de 100.000 cópias foram baixadas, tornando o álbum, em apenas um dia, um best “seller”.

A junção, a mistura, de duas obras cria uma obra nova, diferente, autônoma? Como definir e classificar e diferenciar o que é uma boa cópia e o que é uma má cópia?

Good Copy Bad Copy é um documetário sobre copyright e cultura no contexto da Internet que apresenta diversas opiniões, sob diferentes perspectivas, incluindo advogados, produtores musicais, artistas controversos como o Girl Talk e o Danger Mouse (o criador do mashup no vídeo aí de cima). As entrevistas apresentam um entendimento emergente dos trabalhos em formato digital e os obstáculos.

Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke são os diretores do documentário criado para a Danish National Broadcasting Television network. O vídeo (como não podia deixar de ser) foi distribuído gratuitamente na internet. Apareceu em The Pirate Bay[1] e depois foi oficialmente distribuido sob a licenca Creative Commons Attribution-NonCommercial license no site de compartilhamento de vídeos Blip.tv.

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Mashups + FanFics + YouBook


Robocop vs Exterminador?

Originalmente, mashup é um tipo de aplicação web que combina conteúdo de outras fontes na criação de novos serviços ou experiências de interação, completamente novas. O conteúdo usado em aplicações mashup é tipicamente o de códigos programados por terceiros através de interfaces públicas ou APIs (interfaces de programação de aplicação). Um dos exemplos mais populares de mashups são os construídos através das interfaces de programação do Google Maps, aplicativo web da empresa Google.

Mashup, mais do que uma categoria de software híbrido, parece se tornar uma tendência em termos gerais. Existem os mashups de filmes (movie mashup). No Youtube, encontramos alguns exemplos interessantes de integração criativa de argumentos de filmes com aplicativos web (como o Google Maps) em campanhas de marketing. Um bom exemplos é o hot sites do filme Disturbia. Entretanto, neste artigo eu gostaria de falar sobre movies mashups puros, ou seja, aqueles que combinam múltiplas fontes de filmes independentes em um trabalho inteiramente novo. Pelo que observei é um gênero que se torna bastante popular. No vídeo aí de cima, por exemplo, vocês poderão assistir a uma verdadeira batalha entre Exterminador e Robocop, dois ícones do cinema de ação e aventura da década de 1980.

O fácil acesso a poderosas ferramentas de criação tem permitido o surgimento de novas e criativas idéias de interação dos cinéfilos com os conteúdos dos seus filmes prediletos. Esses fãs estão (re)criando, personalizando, os seus próprios filmes. Não é mais a questão de quando ou como assistir um filme específico que vai passar no canal X, Y ou Z. Agora, é chegado tempo de recriar o filme, misturá-lo com outros e criar uma algo completamente novo.

Algo semelhante acontece em termos de literatura através de um movimento chamado de fan fiction (ou ficção de fãs), bastante fortalecido com o advento da internet. Frequentemente abreviada para fanfic, FF ou fic, a fan fiction é um gênero amador de escrita criativa que apresenta personagens de filmes, shows, bandas de rock e cultura popular em geral em situações e aventuras criadas por seus fãs. A grande maioria dessas histórias e poemas são escritos sem interesse comercial e distribuídos na internet através de listas de email, sites de relacionamento social como Orkut e MySpace. A palavra Fan talvez possa não ser apropriada pois os textos nem sempre são criados por fãs no sentido tradicional do termo.

Com alguma paciência, diversos sites de mashup de músicas também poderão ser encontrados na grande rede.

Chegamos à era da personalização das artes por parte do público. Cada um terá a sua disposição uma experiência totalmente pessoal com seus filmes, músicas ou livros prediletos. Teremos inclusive a possibilidade de sermos “co-autores” de obras inteiramente novas. Em resumo, com um uma idéia na cabeça e um computador nas mãos, todos poderemos criar nosso próprio filme para o YouTube, livro para algum YouBook ou canção para um YouMusic (ok, pode ser iTunes)e distribuí-los através da rede para o nosso seleto e fiel público.

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