Arquivo de 25 de Fevereiro de 2008
Evanildo Bechara, o mestre de todos nós, completa 80 anos

Evanildo Bechara, O mestre de todos nós, é pernambucano. Ainda adolescente veio do Recife para o Rio de Janeiro, compelido por uma precoce orfandade, filho de pai árabe e mãe maranhense, para concluir a formação na companhia de um tio-avô, também pernambucano. A vocação para o magistério apresentou-se cedo.
Embora voltado inicialmente para os segredos da matemática, a necessidade de atender aos pedidos de colegas menos preparados a ministrar-lhes aulas de português e latim lhe atirou, segundo suas próprias palavras, aos segredos, mistérios e potencialidades da língua de Machado de Assis e de Virgílio.
Cursou Letras Neolatinas na Faculdade do Instituto Lafayette (Hoje UERJ), bacharelado e licenciatura. Aos 15, conheceu o mestre Said Ali, com 82, a partir daí trilhou o caminho dos estudos linguísticos.
O primeiro ensaio, Fenômenos de Intonação, foi escrito aos 17 anos, com prefácio de Lindolfo Gomes. Em 1954, aos 26 anos foi aprovado para a cátedra de Lingua Portuguesa no Colégio Pedro II. Reuniria no livro Primeiros Ensaios de Língua Portuguesa artigos escritos para jornais e revistas especializadas da época.
Entre 1961 e 1962, Estudou em Madrid com Dámaso Alonso. Em 1964, convidado por Antenor Nascentes para ser seu assistente, chega à cátedra de Filologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UEG (atual UERJ). Professor em diversas universidade brasileiras, Evanildo Bechara também foi professor visitante em Colônia, Alemanha e Coimbra, Portugal.
Eleito para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras em 11 de dezembro de 2000, na sucessão de Afrânio Coutinho, foi recebido como acadêmico em 25 de maio de 2001 pelo embaixador Sérgio Corrêa da Costa.
Amanhã, 26 de fevereiro, Evanildo Bechada, o mestre de todos nós, completará 80 anos. Autor de uma gramática que é considerada por muitos a Bíblia da Língua Portuguesa moderna, Evanildo, o mestre, ensina gerações e gerações de brasileiros, há décadas, que o idioma é o que seus falantes fazem dele.
Lembro o poeta Fernando Pessoa que escreveu que sua pátria era sua língua. Sim, nossa pátria é nossa língua. A sua proteção é uma de nossas grandes responsabilidades como brasileiros. Evanildo, o mestre, não nos deixou esquecer que somos uma nação também pelo idioma que cuidamos.
Dentro das comemorações dos 80 anos do querido mestre, a Editora Nova Fronteira lançará no próximo dia 28, às 18h, no Petit Trianon, o livro 80 anos de Evanildo Bechara. A homenagem é organizada por Dieli Vesaro Palma, Maria Mercedes Saraiva Hackerott, Neusa Barbosa Bastos e Rosemeire Leão Silva Faccina, a obra reúne o percurso acadêmico do “eterno estudante” na história da lingüística do Brasil. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo portal da Academia Brasileira de Letras e contará com o discurso do presidente da instituição, Cícero Sandroni.
Professor Bechara, neste data tão especial, seguem, com carinho, nosso agradecimento e votos de muita saúde e felicidades.
Sem comentários »A Revolução das FanFics

Era uma vez, uma garota chamada Bárbara, a Babi, que vivia feliz atualizando seus flogs e sites, até que certo dia, começou a escrever fanfics, ou ficções de fãs. A primeira era intitulada Um bem mal entendido. Suas leitoras adoraram, mas a acharam pequena demais. Pediram continuação. Então, Babi continuou escrevendo a fic, mas não tinha onde hospedá-la. Resolveu, temporariamente, deixá-la abrigada em um flog, o Wonderland Brazil. Um belo dia, Mônica, ou Nica, começou a escrever Memory Lane. Outra fic sem teto, que acabou hospedada com Um bem mal entendido. Autoras “multitarefa”, Babi que escrevia Um bem mal entendido começou a escrever Ticket Outta Loserville, enquanto a Nica escrevia Memory Lane e Através de suas palavras. Novas fics apareciam e percebeu-se que elas precisavam de um lar. Então, Mayara, Ana Karla, Paula, Gabriela e Manoela, conhecidas como Maya, Naka, Paulinha, Gabi e Manu, e as meninas do McFLY.com.br (Bru, Karol e Kinina) e a Debby do Street Team do Simple Plan, formaram o finado Take a Bow Fics. Tempos depois, Nica, Babi, Gabi, Manu, Naka, Maya e Paulinha que adoram escrever/ler fanfics, decidiram fazer outro site, então aproveitando o do McFLY Addiction, do qual eram elas as mesmas as Webmasters (percebe-se que as meninas não estão aqui para brincadeira), surgiu a idéia de chamar o novo site de Fanfic Addiction.
A fascinante história pode ser lida, na íntegra, em McFLY Addiction, site associado ao portal Fanfic Addiction.
Fanfic, segundo a Wikipedia, é a abreviação do termo em inglês fan fiction, ou seja, “ficção criada por fãs”. Em outras palavras, trata-se de contos ou romances escritos por quem gosta de determinado filme, livro, história em quadrinhos ou distribuídas por quaisquer outros meios de comunicação.
O McFLY Addition (dedicado aos fãs da banda inglesa McFLY) está no ar desde 3 de maio de 2006 e neste momento, conta com um número de acessos que já ultrapassa 2.595.200.
Acesso o site na manhã de 24 de fevereiro de 2008 e nesse momento somos 11 usuários on-line.
McFlyAddition, Site oficial da banda McFly no Brasil, revistado em 12 de maio de 2008.
A história do McFLY Addiction é apenas uma entre várias outras histórias desse movimento que vem tomando conta da internet, as FanFics, um dos melhores exemplos práticos do que seja a web 2.0, essa idéia de um ambiente on-line mais dinâmico, onde os usuários colaboram para a organização de conteúdo.
Uma das coisas mais interessantes que observei no McFLY Addiction é a área de tutoriais (no menu Leitoras, percebe-se aqui que o público alvo é basicamente o feminino). Nessa área, os autores das fanfics poderão encontrar uma lista de erros (e respectivas correções) gramaticais mais comuns, dicas para melhor construção das frases, dicas para facilitar a leitura e dicas de como não escrever uma fanfic (apontando os erros mais graves).
Ao acessar a fanfic (em andamento, ou seja, ainda um working in progress) 11:11 P.M. fui surpreendido com um pequeno questionário que perguntava (dentre outras coisas): Qual o seu nome? Ou Apelido? Qual o seu sobrenome? Qual o seu McFLY preferido? etc. As respostas serviam para montar as fanfics interativas, que são fanfics que lidas com nomes de personagens e preferências do leitor. Terminado o questionário, o texto da fic é montado dinamicamente incluindo as informações entradas e logo no início, aparecem metadados como status da fanfic, título, autora, beta-reader (revisores da fanfic), número de visitas recebidas e número de leitores on-line. As informações entradas no inicio pelo futuro leitor aparecem no texto
“[um-nome-sugerido-pelo-leitor] era um garota de 16 anos, daquelas que aparentava 18. Tinha seus cabelos longos e castanho-claros, acompanhados dos olhos negros e o rosto de adulta, contrastando com as roupas coloridas que sempre usava.”
Até o momento em que acesso a fic 11:11 P.M., são 85 comentários (incluindo o já tradicional eu fui o (a) primeiro(a) a comentar…) associados. Esses comentários, em geral, são elogiosos. O que antes de significar uma falta de analise critica por parte dos leitores representa algo também muito importante, o texto é lido por um público alvo bem definido, geralmente bem informado sobre o tema (no caso de uma ficção cujos personagens principais são os integrantes da banda McFLY, seus leitores costumam ser os fãs da banda). Captura a atenção do leitor desde o início e tem um grande percentual de chance de agradá-los e manter sua atenção até o final. Existe uma grande empatia entre leitores e autores, pois falam de temas de interesse comum. O atendimento a um mercado segmentado, a um nicho bem definido pode (e deve) ser um dos caminhos para a literatura distribuída pela internet. Cada comentário, geralmente, contém um link para a home-page, blog pessoal do comentador.
Como esse espaço é voltado para fanfics sobre o McFLY, estão armazenadas atualmente 943 Fanfic sobre a banda. Son of Dork aparece em segundo lugar com 68 e o My Chemical Romance em terceiro com 25 (entre os brasileiros, Fresno tem 2, Nx Zero e Jota Quest, 1).
Um papel fundamental no funcionamento da estrutura de um site voltado para a criação, edição e distribuição de fanfics é o Beta-Reader (ou simplesmente Beta). Os Beta-readers ajudar o site e, principalmente, os criadores das fanfics com a ortografia e com o roteiro da sua fanfic. Os beta-readers vão corrigir todos os erros que o autor pode ter deixado passar na sua história. Funciona como um revisor.
Outros serviços relacionados acabam surgindo, como é o caso do Fiction Ratings que procura criar condições e critérios de classificação do conteúdo das fics para atender aos seus vários leitores de diversas faixas etárias.

Rating map do FanFic ratings
O Fiction Ratings criou procedimentos e logos classificatórios que estão disponíveis gratuitamente para organizações e indivíduos e podem ser acrescentados aos seus trabalhos de fanfic.
Alguns dos tipos de classificação: G (Livre ou K/K+): fic liberada para todas as idades. O site Fiction Ratings subdivide esta classificação em duas categorias: K e K+; K: Conteúdo livre de qualquer linguagem grosseira, violência e temas adultos; K+: Conteúdo com menor grau de violência, insinuações de linguagem grosseira e ausência de temas adultos, recomendável para crianças maiores de 9 anos; PG-13 (NC-13 ou T): não recomendável para menores de treze anos por conter alguma violência, linguagem levemente grosseira, e sugestão de temas adultos. Cenas leves; PG-15 (PG ou NC-15): não recomendável para menores de quinze anos por conter cenas de violência, linguagem grosseira e temas adultos leves. Cenas estilo médio; PG-17 (NC-17, M/MA ou R): não recomendável para menores de dezessete anos por conter cenas de descrição explicita de violência, uso liberado de forte linguagem grosseira, e temas adultos tratados de modo detalhado e explícito. Cenas fortes; NC-18: conteúdo impróprio para menores de dezoito anos. Geralmente utilizados em fanfics de anime e/ou da série Harry Potter. Indicado como conteúdo de terror, suspense ou cenas realmente pesadas, não especificamente sexo. (Fonte: FanFic Ratings )
As fanfics, ainda segundo a Wikipedia, costumam ser classificadas em diversas subcategorias tais como Darkfic: Fanfic abundante em cenas depressivas, atmosferas sombrias e situações angustiantes. O seu contrário são as Fanfics “waffy”; Deathfic: Aqui os personagens principais morrem; Slash: O tema principal é relação entre dois personagens centrais (a maioria atualmente interpreta o termo como sinalização de relacionamentos homossexuais); Fanon: indica a presença de idéias já propagadas em outras fanfics e que se tornaram tão populares quanto a obra original; Canon: segue o “Cânone”. Refere-se a fanfics que sigam fielmente a história, principalmente em termos de shippers (casais) caracterização de personagens; Oneshot: fanfic que contém somente um capítulo (one-shot: um-tiro (por ser uma leitura rápida)), seja ele curto e postado de uma só vez ou longo e postado em partes; Songfic: quando a fanfic segue acompanhada da letra (e/ou tradução)da música, escolhida pela autora, como trilha sonora. U.A. (Universo Alternativo): a fanfic se passa num mundo diferente do criado pela autora original da série, mas usa personagens já existentes na história.
Grande parte dos fanfics costumam, tecnicamente, infringir as Leis sobre direitos autorais, já que utilizam personagens criados originalmente por terceiros. A não ser no caso de personagens que já tenham caído em domínio público, as estórias que utilizem personagens ainda sob copyright podem ser proibidas por seus criadores originais. Contudo, como geralmente esse tipo de criação literária é realizada por fãs sem intuito de obter lucro, não costuma haver problemas.
Na década de 60 o termo “fan fiction” era usado pelos fãs do gênero ficção cientifica para designer trabalhos originais, porem amadores, de ficção cientifica publicados em revistas, como uma forma de diferenciá-los dos trabalhos publicados por escritores profissionais. Hoje, o uso desse termo nessas condições está obsoleto.
As fan fictions como compreendidas hoje (alguns poderiam insitir que não são diferenciáveis dos pastiches) começaram pelo menos no século XVII, com as publicações não autorizadas de seqüências de trabalhos como Don Quixote. Na virada do século XIX apareceram as parodies e revisões de Alice nos Pais das Maravilhas de Lewis Carroll por autores como Francês Hodgson Burnett e E. Nesbit.
Também surgiram diversas versões (imitações e continuações) de O Maravilhoso Mágico de Oz de L. Frank Baum e da série Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle (entre estes, O Xangô de Baker Street do brasileiro Jô Soares). O Dom Casmurro de Machado de Assis também mereceu as versões Amor de Capitu, de Fernando Sabino, Capitu, de Lygia Fagundes Telles, e Memórias Póstumas de Capitu, de Domício Proença Filho, entre outros. O conto There are More Things de Jorge Luis Borges, de O livro de Areia, uma história de terror na melhor tradição e estilo lovecraftianos, também poderia ser considerado um bom exemplo de fanfic.
O portal FanFiction.net, cujo slogan é liberte a sua imaginação, é um dos principais portais concentradores de fanfics na internet.
O portal é dividido categorias como anime, livros, cartoons, comics, games, filmes e TV. Na categorias livros, por exemplo, entre as diversas opções existentes encontrei fanfics sobre Dickens (2), Código Da Vinci (4), Alice no Pais das Maravilhas (3), Gossip Girl (8), Fairy Tales (25), Fantasma da Opera (127), Senhor dos Aneis (255), Sherlock Homes (7).
A internet oferece a opção de um feedback instantâneo. Muitos sites de fan fiction apresentam um sistema de “review” onde leitores podem comentar sobre as historias através de formulários, certas vezes chamados de “review board” (ou reviews page) da historia. Esses sistemas muitas vezes são programados para avisarem automaticamente os autores das fanfics sobre novos comentários, permitindo assim que leitores e autores se comuniquem diretamente on-line.
As fanfics vem sendo estudadas e diversos sites como o FanFic symposium que contém uma coleção de ensaios sobre fan fiction começam a aparecer na internet.
Hoje, Nica, Babi, Gabi, Manu, Naka, Maya e Paulinha parecem já produzir as bases de uma Literatura 2.0, aquela que inevitavelmente emergirá desse cenário de constante mudança, colaborativo e interativo da internet, alterando drasticamente nossa relação com os livros, seja como leitores, autores, editores ou livreiros, revolucionando nossos modelos individualizados de leitura, criação e comercialização de textos.
O que mais elas e outros de sua geração poderão nos antecipar sobre esse futuro que, como bem observamos, já nos antecipa suas sombras?
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