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Arquivo de 7 de Março de 2008

Da Taxonomia a Folksonomia

Gosto dos contos e romances de Julio Cortázar. Mas é interessante (ou preocupante, dependendo do seu ponto de vista) saber que a partir desse fato, seja possível que um site infira que eu também me interessarei pela obra de Carlos Fuentes, Jorge Luis Borges ou Juan Rulfo, mesmo que, por desinformação (ou ignorância mesmo), eu não o saiba.

É notório que acessos e pesquisas em diversos sites da internet são registrados e servem, claro, para que se desenhe cenários e se classifique e associe usuários a essas categorias e cenários. Esse foi o tema de uma reportagem recente da Business Week.

Basta navegar pela Amazon.com para que essas informações saltem aos nossos olhos o tempo todo: Se você andou pesquisando aquele livro, deveria também considerar este… E tudo isso está quase sempre a um clique de distância.

Percebemos que os temas e autores de nossa preferência (por mais “diferenciados” que os consideremos) se inserem, com extrema facilidade, em diversas categorias (padrões e gêneros) e a partir daí, correlações podem ser feitas e, por exemplo, novos produtos nos podem ser oferecidos com base nessas classificações. Produtos que, a priori, sequer sabíamos que combinavam com nossos gostos.

E tudo (como quase sempre) a um clique de distância.

Esses recursos cada vez mais comuns na chamada Web 2.0, também são úteis para que nós mesmos, usuários, possamos aprender (entre outras coisas) alguma coisa a mais em relação ao nosso próprio comportamento on line.

Algo que também me parece ser provável é a integração dessas ferramentas (ou do modelo e dos recursos que elas usam) em dispositivos (livros digitais, em termos de seu conteúdo, por exemplo) cada vez mais inusitados.

Que tal uma visão geral de como isso funciona? Que tal uma “big picture”?

Resultados de pesquisa no Touchgraph Amazon a partir do argumento “Julio Cortazar”

A empresa Touchgraph lançou no final do ano passado uma ferramenta (ainda em versão beta) bastante interessante espelho da era Web 2.0: a importância de se definir e associar palavras chaves apropriadas aos pedaços de informação (sejam imagens, artigos, livros, video clips, etc), descrevendo atributos do item e permitindo, a partir desta folksonomia, diversos tipos de classificações, com o objetivo de facilitar uma posterior recuperação e categorização dessas informações (A folksonomia é uma maneira de indexar informações. Esta expressão foi cunhada por Thomas Vander Wal. É uma analogia à taxonomia, mas inclui o préfixo folks, palavra da língua inglesa que significa pessoas).

Outras relações dinâmicas entre os dados também podem ser identificadas a partir do comportamente on line dos usuários de um determinado aplicativo e base de dados.

O ponto forte da folksonomia é sua construção a partir do linguajar natural da comunidade que a utiliza. Enquanto na taxonomia clássica primeiro são definidas as categorias do índice para depois encaixar as informações em uma delas (e em apenas uma), a folksonomia permite a cada usuário da informação a classificar com uma ou mais palavras-chaves, conhecidas como tags (em português, marcadores).

O interessante da solução da Touchgraph (uma empresa de designers) é a apresentação visual dessas correlações em formato de mind maps.


Exemplo de mind map (Fonte Wikipedia)

O Touchgraph Amazon Browser é uma applet java (precisa do runtime da Java 1.5 ou maior) de visualização gráfica que permite a exploração das conexões entre livros, músicas e filmes. Basta entrar com o título de um livro, filme, música ou o nome de um autor e clicar em Graph it!.


Entrando com o argumento de pesquisa no Touchgraph Google Browser

Outras duas ferramentas gráficas da Touchgraph são o Touchgraph Google que apresenta uma rede de conexões entre websites e o Touchgraph Facebook que apresenta visualmente conexões entre amigos do site de relacionamento Facebook.


Resultados apresentados no Touchgraph Google Browser

A mesma ferramenta pode ser encontrada na CNET apresentando correlações variadas entre as notícias veiculadas pelo site. Lá ela é conhecida por The Big Picture e vem associada a cada artigo criando relações deste com outros.


CNET - The Big Picture

Além da visão mais geral de um determinado assunto apresentada por sua correlação com outros, a ferramenta gráfica da Touchgraph permite ao usuário descobrir diversos padrões entre esses dados, refinar os seus resultados, apresentar e esconder os nós de relacionamento, fazer análises e criar relatórios a partir da exportação de tabelas e gráficos para o Microsoft Excel e outros formatos públicos.

Em relação ao conteúdo dos livros, penso que em breve, será comum que, além do conteúdo em si da obra, outras informações venham “empacotadas” com ela. Seriam os metadados da obra. É claro que esse tipo de recurso associado, por exemplo, a um romance (de preferência pelo autor) poderá proporcionar aos leitores interessantes experiências de interação com a obra.Voltaremos com mais calma ao tema (porque merece um artigo especial) em breve. Porém adianto que que alguma coisa já está acontecendo por aí (e parece corroborar com essa tese). Um exemplo são os padrões (XML) que estão sendo criados pelo International Digital Publishing Forum (IDPF).

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Neste dia: 11 de Março

Neste dia, no ano de 1818, Frankenstein, or The Modern Prometheus foi publicado. O livro escritor por Mary Wollstonecraft Shelley, na época com 21 anos, é frequentemente denominado o primeiro romance de ficção científica do mundo. Na história de Shelley, um cientista anima uma criatura construida a partir de partes de cadáveres. A gentil e intelectualmente dotada criatura é enorme e fisicamente odiosa. Cruelmente rejeitada pelo seu criador, seu destino é divagar, errar pelo mundo em busca de amigos, e ao não encontrá-los, tornar-se brutal.

Nascimentos: 1852 - Emília Bandeira de Melo, escritora brasileira (m. 1910); 1902 - Deolindo Couto, médico neurologista e escritor brasileiro (m. 1992); 1940 - Sebastião Alba, escritor moçambicano (m. 2000); 1952 - Douglas Adams, escritor inglês (m. 2001); 1931 - Keith Rupert Murdoch, empresário australiano naturalizado norte-americano, presidente e diretor-geral da News Corporation, um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, controladora dos estúdios de cinema e dos canais de TV paga FOX, das operadoras de TV por assinatura SKY e DirecTV, do site de relacionamentos MySpace, dos jornais “New York Post” e “Wall Street Journal”, entre outros.

Falecimentos: 1908 - Edmundo De Amicis, escritor italiano (n. 1846); 1923 - Júlia da Silva Bruhns, escritora brasileira (n. 1851); 1971 - Anísio Teixeira, educador e escritor brasileiro (n. 1900); 1982 - Edmund Cooper, escritor britânico (n. 1926); 1993 - Manuel Lopes Fonseca, escritor português (n. 1911). (Fontes: Wikipedia e History Channel)

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