pontolit

Vicente de Carvalho, poeta brasileiro (05 de Abril de 1866 - 22 de abril de 1924)

Publicou-se na revista santista Flama, edição de maio de 1944 (ano XXIII, nº 5), uma matéria informando que estava decidida a pendência a respeito do túmulo de Vicente de Carvalho: seria considerado Monumento Nacional.

Nascido Vicente Ausguto de Carvalho, na cidade de Santos, em 5 de Abril de 1866, o poeta do mar, como ficou conhecido, tempos depois teria seu nome dado a um bairro da Zona Norte carioca, entre Vila da Penha e Vaz Lobo.

Sobre Vicente de Carvalho sabemos que cursou o ensino fundamental em Santos, sua cidade natal, por volta dos 12 anos seguiu para São Paulo onde trabalhou no comércio, estudou no Colégio Mamede e, depois, no Seminário Episcopal e no Colégio Norton, onde fez os preparatórios. Aos 16, iniciou o estudo do Direito na Faculdade de São Paulo, obtendo em 1886, aos 20 anos, o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.

Vicente de Carvalho foi um jornalista combativo com atuação constante na imprensa. Também foi delegado do Congresso Republicano, deputado do Congresso Constituinte do Estado e Secretario do Interior de São Paulo. No golpe de estado de Deodoro da Fonseca, abandonou o cargo e mudou-se para Franca, município do interior paulista, onde se tornou fazendeiro. Em 1901, volta a Santos, onde exerce a advocacia. Em 1907, segue para São Paulo, onde foi nomeado juiz de direito e, em 1914, ministro do Tribunal da Justiça do Estado.

O poeta lírico, ligou-se desde o cedo ao grupo de jovens poetas de tendência parnasiana. Sua produção poética, tendo o mar como tema constante em suas composições, inclui os poemas “Palavras ao mar”, “Cantigas praianas”, “A ternura do mar”, “Fugindo ao cativeiro”, “Rosa, rosa de amor”, “Velho tema”, “O pequenino morto”.

Ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1909, na vaga de Arthur Azevedo, ocupando a cadeira nº 29. Seu primeiro livro de versos, Ardentias, viria a luz em 1885. Em 1888, sairia O Relicário, também de poemas. Agindo como Republicano e Abolicionista, atuou junto a Silva Jardim, Rubim César, Miranda Azevedo e Augusto Fomm, entre outros. Vicente de Carvalho também foi um dos fundadores do Liceu Feminino Santista e membro da Academia Paulista de Letras. Em 1909, publicou Verso e Prosa, e, em 1918, Luisinha, comédia em dois atos.

Vicente, que segundo Guilherme de Almeida, representou a um só tempo o “poeta épico, e clássico, e lírico, e satírico, e popular, e parnasiano, e simbolista, e naturalista”, aos 56 anos, perdeu um braço em consequência de cárie óssea; dois anos depois, sentiu-se mal em Cananéia, durante uma pescaria, onde se encontrava com parte da família e amigos.

Removido às pressas para Santos, Vicente de Carvalho, o poeta do mar, faleceu em Santos, no dia 22 de abril de 1924, deixando grande número de obras editadas e muitas outras inéditas. Sepultado na quadra da Irmandade de N. S. do Carmo, no cemitério do Paquetá. Seu túmulo, desde a década de 1940, é monumento nacional.

Bibliografia: Ardentias (1885); Relicário (1888); Rosa, rosa de amor (1902); Poemas e canções (1908); Versos da mocidade (1909); Verso e prosa, incluindo o conto Selvagem (1909); Páginas soltas (1911); A voz dos sinos (1916); Luizinha, contos (1924); discursos e obras políticas e jurídicas.



 | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 555

Deixe uma resposta.