Arquivo de 27 de Maio de 2008
Retratos da Leitura no Brasil

“É importante investir em ações para formar professores e bibliotecários, para que sejam agentes de fomento à leitura. A leitura decresce a partir da saída dos leitores da escola, e o uso de bibliotecas se concentra basicamente na vida escolar”, afirma Galeno Amorim, diretor do Observatório do Livro e da Leitura, entrevistado por Raquel Bertol, de O Globo.
O Observatório coordenou a segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, com apoio das entidades do livro (CBL, Snel e Abrelivros), que abrange um universo de 172 milhões de brasileiros (92% da população) e foi executada pelo Ibope no final de 2007, entrevistando 5 mil pessoas em 311 municípios no final de 2007. A margem de erro é de 1,4%.
A pesquisa, maior estudo já realizado no país sobre comportamento leitor da população, teve o objetivo de conhecer a percepção da leitura no imaginário coletivo, o perfil do leitor e do não leitor de livros, as preferências e motivações dos leitores e os canais de acesso ao livro.
Os resultados da pesquisa (detalhes serão apresentados em durante o Seminário Nacional Retratos da Leitura no Brasil, quarta-feira, 28 de maio, em Brasília) são considerados de grande importância para a formulação de políticas públicas que visem ajudar a reverter o precário quadro da leitura no Brasil.
Seminário Retratos da Leitura no Brasil
Inscrições gratuitas
Tel: (61) 3321 7440 ou (61) 3225-0207 / E-mail: secretaria@grupolabor.com
Reservas Hotel Brasília Alvorada: (61) 3424-7018 reservas@brasiliaalvorada.com.br
Leetspeak: Lilia Alves, idealizadora do Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens

Lilia Alves é educadora de formação, com especialização em Sociologia e Desenvolvimento de Relações Interpessoais pela FGV/RJ. Foi sócia da editora LTC durante 25 anos. Nesse período, criou o Centro de Ensino de Desenvolvimento Gerencial (CEDEG/LTC) pelo qual, por 10 anos, ministrou cursos em empresas nas áreas de Relação Interpessoal, Desenvolvimento Gerencial e Administração de Conflito, experiência que a levou, por convite, ao Setor de Vídeoconferência da Academia Brasileira de Letras. Lilia também trabalhou na Biblioteca Nacional e no SNEL (patronal) e fez parte do Conselho Curador da FNLIJ onde, há dez anos, idealizou o Salão do Livro para Crianças e Jovens cuja décima edição acontece no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro até 1º de junho.
Por Patrícia Sotello
Lilia começa a entrevista, na verdade uma agradável conversa, pedindo para que seja esclarecido que, hoje, não faz mais parte da equipe da FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, apesar de ainda manter um estreito contato com a Instituição. Atualmente, ela se dedica em tempo integral ao trabalho na Academia Brasileira de Letras. É evidente o imenso respeito que tem pela FNLIJ, principalmente nas figuras de Beth Serra e Laura Sandroni. Entretanto, por ser a idealizadora do Salão do Livro para Crianças e Jovens, aceitou contar ao Pontolit como tudo aconteceu.
Lilia se emociona ao lembrar a época em que o Salão do Livro foi criado: “Eu fazia parte do Conselho Curador da FNLIJ e, por isso, acompanhava o andamento das atividades da Fundação, assim como as dificuldades financeiras que surgiram a partir do Plano Collor.” Há pouco mais de dez anos, a instituição vivia momentos difíceis, tamanhos eram os problemas financeiros por que passava.
Lilia, uma “filha de Lobato”, compreendia a importância da leitura na construção do cidadão crítico. Achava injusto que, depois de tanto esforço conjunto e de todas as conquistas obtidas pela FNLIJ, a Instituição estivesse naquela situação. Já havia, inclusive, o reconhecimento de uma Literatura Infanto-Juvenil Brasileira de excelência: Lygia Bojunga Nunes havia obtido o Prêmio Hans Christian Andersen, em 1982, por indicação da FNLIJ ao IBBI – International Board on Books for Young People.
A solução surgiu de uma forma inusitada: “Uma noite, no meio da madrugada, acordei com a idéia de um evento voltado apenas para a Literatura Infanto-Juvenil, com o propósito de promover a leitura.” - conta Lilia, com cara de menina levada. Lilia imaginou um imenso salão onde crianças fascinadas teriam acesso aos livros e poderiam interagir com ilustradores e contadores de histórias. Pensou ainda, que, para facilitar o acesso, poderia ser no MAM – Museu de Arte Moderna -, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Como Lilia fazia parte do SNEL - Sindicato Nacional dos Editores de Livros -, tinha contato com editoras de todo o Brasil, o que tornava a idéia factível.
A idéia foi apresentada e aprovada pela equipe da FNLIJ. Foram então à luta. Entraram em contato com as editoras que, em número significativo, aderiram à idéia, e o 1º Salão do Livro para Crianças e Jovens foi montado há dez anos. Lilia conta ainda: “No segundo ano, já tínhamos o patrocínio da Petrobrás. Desde então, a empresa continua promovendo o Salão, que tem nesta sua 10ª edição, mais um novo patrocinador, a Caixa Econômica Federal.” Depois disso, a FNLIJ retomou o folego e pôde assistir à Ana Maria Machado também receber o Prêmio Hans Christian Andersen pelo conjunto de sua obra, em 2000!
Quando perguntada se imaginava que o Salão do Livro fosse tomar as proporções que tem hoje em relação à sua importância na formação do pequeno leitor, Lilia responde: “Eu acreditava no sucesso do Salão junto aos jovens como estímulo visual, além de ter certeza de que o hábito de leitura inicia-se na criança. Esta é a bandeira da Fundação. O que ainda me emociona na FNLIJ é que há uma dinâmica de emoção e a grande possibilidade do livro de Literatura Infanto-Juvenil ter qualidade cada vez maior. ‘Sem dever nada a ninguém’.”
Finalizando a conversa, Lilia deixa clara sua preocupação com as crianças provenientes das comunidades carentes do Rio de Janeiro, as do interior do Brasil e, inclusive, as indígenas, para quem o acesso ao livro é mais difícil. Por isso, tem um sonho: “Mais bibliotecas pelo Brasil e mais leitores para elas.” Entretanto, comemora a participação de autores indígenas no Salão, já pelo 5º ano: “Acho ótimo. Essa terra é deles. Eles já estavam aqui quando chegamos. Sofreram com a chegada do ‘homem branco’, que tentou destruir sua cultura. Hoje, eles participam do Salão contribuindo não apenas em encontros e palestras, mas com Literatura Infanto-Juvenil Indígena. Há autores indígenas muito bons.”
Saiba mais sobre o 10º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens :

Local: MAM – Museu de Arte Moderna
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 Parque do Flamengo RJ
Tel.: (21) 2240-4944
Data: De 21 de maio a 1º de junho de 2008
Horário: Segunda a sexta, das 8:30h às 18:00h; sábados, domingos e feriado, das 10:00h às 20:00h
Ingresso: R$ 3,00 (gratuidade para maiores de 65 anos, portadores de deficiência e professores da Rede Municipal de Ensino)
FNLIJ • Tel.: (21) 2262-9130 / www.fnlij.org.br