Arquivo de 8 de Junho de 2008
Leetspeak: Rodrigo Velloso, Gerente da Pesquisa de Livros do Google Brasil

Hoje, Leetspeak recebe Rodrigo Velloso, Gerente do Google Books Brasil. Rodrigo explica como funciona a Pesquisa de Livros do Google e fala dos benefícios que o serviço proporciona a editores, autores e leitores. Rodrigo também apresenta a Books Viewability API que permite a desenvolvedores e integradores incorporarem a base de dados do Google em seus próprios produtos e serviços.
Por C. S. Soares
Google é uma empresa que dispensa apresentações. Virou sinônimo de ferramenta de buscas na Internet e, nos dias de hoje, praticamente se confunde com ela. Até inspirou a criação de um verbo, o “googlar”, escolhido pela American Dialect Society como a “palavra mais útil de 2002″.
Com acesso a mais de 1,3 bilhão de páginas e respostas (que levam, em média, menos de meio segundo) a mais de 100 milhões de consultas por dia, o Google (o nome vem de “googol”, palavra inventada por Milton Sirotta, sobrinho do matemático americano Edward Kasner, para designar o número representado por 1 seguido de 100 zeros) tem como missão, a organização do enorme montante de informações disponíveis na web e no mundo.
Desde 2004, está no ar o Google Book Search (Pesquisa de Livros do Google). A proposta do serviço é permitir que autores e editores promovam seus livros no Google, que digitaliza o texto completo dos títulos, permitindo aos usuários acessar os conteúdos que correspondam aos tópicos que estão procurando. Ao clicar em um resultado de pesquisa, o trecho de um livro, o Google exibe uma imagem digitalizada da página correspondente, que também conterá vários links como “Comprar este livro”, facilitando a aquisição do livro de varejistas online. Anúncios contextuais do Google AdWords são apresentados nessas páginas, possibilitando que editores recebam uma parcela da receita gerada pelos anúncios exibidos junto ao seu conteúdo.
Hoje, em Leetspeak, conversamos com Rodrigo Velloso, Gerente da Pesquisa de Livros do Google no Brasil. Rodrigo é formado pelas Wharton e Annenberg Schools da University of Pennsylvania, onde concluiu, através de um Dual Degree Program, o Bachelor of Science in Economics (com concentração em marketing) e o Bachelor of Arts in Communications.
No Grupo Abril, foi Diretor de Marketing da Unidade de Negócios Jovem e Diretor de Redação do Almanaque Abril, Guia do Estudante e da Revista Playboy. Desde de 2007 como Gerente da Pesquisa de Livros do Google no Brasil, Rodrigo Velloso vem desenvolvendo importantes e estratégicas parcerias com editoras no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.
PONTOLIT: Rodrigo, explique-nos, por favor, como funciona a Pesquisa de Livros do Google e que benefícios proporciona para editores, autores e leitores.
RODRIGO VELLOSO: Em resumo: é uma maneira inteiramente nova das pessoas descobrirem livros. Nosso sistema torna possível que se realize buscas e pesquisas no texto completo dos livros sem que o conteúdo completo esteja disponível e acessível pela internet. Dessa forma, as pessoas podem identificar um livro por afinidade temática com seu conteúdo, ou seja, porque em algum lugar do livro - seja no título ou na última página do miolo - estão as palavras ou a frase pesquisadas.
Para leitores, o benefício é a possibilidade de descobrir facilmente conteúdos que lhe interessam - até mesmo quando não estão procurando um livro especificamente - e poder “degustar” uma parte desse conteúdo. Caso queira comprá-lo para ter acesso completo ao seu conteúdo, há links que levam diretamente as páginas de compra do livro no site da editora ou em diversas livrarias online. Há, também, informações sobre as livrarias em sua região.
Para editoras e autores, o benefício principal é aumentar, de forma segura e controlada, a exposição e divulgação dos livros e, assim, aumentar seu impacto e suas vendas. Além da receita incremental, o nosso Programa para Parceiros também oferece informações sobre a interação das pessoas com o conteúdo dos livros o que ajuda a editora a tomar melhores decisões editoriais e promocionais. Por fim, oferecemos outras vantagens como publicidade vinculada ao conteúdo dos livros e ferramentas para o site da editora. E outras novidades virão. Estamos sempre procurando novas maneiras de agregar valor ao Programa e a nossos parceiros. A inovação faz parte do DNA do Google.
P: Quantas editoras nacionais já aderiram ao programa?
RV: Já estamos nos aproximando dos 100 parceiros nacionais. É difícil saber o número exato pois, além dos parceiros “diretos” com os quais temos um relacionamento pessoal, temos parceiros “online” que se inscrevem pela internet e que, em função disso, demoram mais para serem confirmados como legítimos detentores de direitos autorais.
Anexo um anúncio que circulamos na edição de Abril da revista Panorama Editorial homenageando os “fazedores” de livros em geral e nossos parceiros em particular. No anúncio, há uma lista da maioria de nossos parceiros no país. A lista está em ordem alfabética, mas você irá reparar que estão lá empresas líderes do mercado como Record, Ediouro, Loyola, Pensamento-Cultrix, Artmed, Summus, Roca, Nobel, Senac e Jorge Zahar. Além das que estão na lista, você pode acrescentar Campus Elsevier, Casa do Psicólogo e Conceito Editorial que assinaram no trimestre corrente.
P: Como os interessados poderão participar do Programa para Parceiros e do Projeto Biblioteca? Já estão funcionando no Brasil?
RV: Acho que já expliquei as vantagens do Programa para Parceiros. A adesão é muito fácil. O Google se encarrega da digitalização, da hospedagem e da segurança dos livros. Esses serviços são inteiramente gratuitos para a editora que só precisa disponibilizar seu conteúdo. Podemos receber arquivos digitais ou exemplares físicos dos livros. Uma vez enviados os livros, demora alguns meses para que sejam indexados e passem a aparecer entre os resultados de busca. Aí, a editora começa a desfrutar de todos os benefícios que mencionei: receitas incrementais e novas ferramentas de trabalho.
O Projeto de Bibliotecas é voltado à inclusão, em nosso índice, de todos os livros que não estão mais nos catálogos ativos das editoras por um motivo ou outro. Temos, hoje, parcerias com 29 bibliotecas nos EUA, Europa e Ásia. Como as leis de direito autoral são diferentes em cada país, os livros que digitalizamos de cada uma delas varia também. A biblioteca disponibiliza seu acervo, ou parte dele, para digitalização e em troca recebe os arquivos digitalizados e ferramentas que podem ajudar seus visitantes a consultar as fontes disponíveis.
O Programa para Parceiros está a todo vapor no Brasil. Já o Projeto de Bibliotecas não foi implementado nem aqui, nem em nenhum outro país da América Latina. Infelizmente, as bibliotecas da região com o porte necessário para justificar o investimento necessário não se comprometeram com o projeto.
P: Livros, sabemos, são instrumentos sociais. Nos últimos meses, surgiram diversos sites especificamente para leitores, como Shelfari, Librarything etc, que seguem a tendência de aplicações de mídia social (o Google, incluisve, incentiva uma plataforma, a Open Social, que visa facilitar a comunicação programada entre esses sites). Existe algum projeto de expansão e integração do Google Books com outras aplicações, como o Orkut, por exemplo? O recurso My Library (Minha Biblioteca), da Pesquisa de Livros do Google Brasil, será expandido para, por exemplo, a criação de comunidades centradas em livros?
RV: Acreditamos que a digitalização de livros por meio de programas de parceria com editoras e bibliotecas seja apenas o primeiro passo de um processo de integração de diversas fontes informação e entretenimento. Hoje, nosso maior e mais desafiador projeto é a “Busca Universal” pela qual resultados de outras fontes, inclusive livros, possam ser integrados em resultados de busca junto com sites, fotos, mapas e o que mais for relevante para cada busca. Dessa forma, as pessoas podem descobrir livros mesmo quando forem relevantes ao seu interesse, mesmo sem procurar especificmente por eles. Também trabalhamos constantemente para desenvolver novas funcionalidades que possam enriquecer a experiência dos usuários e a utilidade das ferramentas. Além do “minha biblioteca“, lançamos recentemente a funcionalidade “passagens populares” que identfica trechos de cada obra frequentemente citados e outra que permite “recortar” trechos de obras do domínio público e as colar em sites, blogs e outros documentos. E, cada vez mais, interligamos livros mostrando aos usuários outros livros que fazem referência ou são referenciados pelo que está sendo visualizado e, até, sites que mencionam cada livro. Por fim, nos esforçamos para criar maneiras novas para usuários interagirem com o conteúdo de que dispomos integrando-o em outras ferramentas. Há, por exemplo, uma camada no Google Earth que pode ser ativada e que mostra trechos geocodificados de livros, ou seja, trechos que falam de lugares específicos no mapa (veja mais aqui). E, embora não possa entrar em detalhes, há sim planos para incorporar livros a outras ferramentas que desenvolvemos, mas sempre com foco no interesse dos usuários dessas ferramentas. Quando os livros saem das estantes e entram na rede, eles se tornam entidades vivas e dinâmicas, vinculadas diretamente a um corpo vivo de conhecimento.
P: Há duas semanas, soubemos pela imprensa que a Microsoft abandonou os programas Live Search Books e Live Search Academics. O que esse novo direcionamento da empresa de Seattle pode representar para o mercado e a concorrência?
Não posso comentar a decisão da Microsoft. Mas posso dizer que o Google continua mais comprometido do que nunca à sua missão de “organizar a informação do mundo e torná-la acessível e útil a todos!” e que consideramos os projetos Google Book Search (Pesquisa de Livros do Google) e Google Scholar (Google Acadêmico) fundamentais para nossos propósitos. Além disso, comemoramos o fato de existerem vários outros projetos de digitalização de livros, ainda que com características e objetivos diferentes.
P: Rodrigo, a próxima pergunta é uma curiosidade minha, especificamente como analista e desenvolvedor de software: Já existe algum projeto de integração da engine e base de dados do Google Books em aplicações de terceiros?
Sim! Em março de 2008, lançamos o Books Viewability API que ajuda desenvolvedores e integradores a fazerem uso da base de dados do Google da forma como sua criatividade mandar. Veja aqui: http://code.google.com/apis/books/
Acesse também:
• Mais informações sobre a Pesquisa de Livros do Goggle Brasil
• Projeto Biblioteca da Pesquisa de Livros do Google
• Machado de Assis na Pesquisa de Livros do Google Brasil
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