O rapaz que reverenciou Machado em seu leito de morte

A reverência de um anônimo juvenil
Quem foi o rapaz que reverenciou Machado no seu leito de morte
O Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, publicou, em 30 de setembro e 1º de outubro de 1908, uma crônica de Euclides da Cunha intitulada A última visita. Nela, Euclides menciona uma visita misteriosa ao autor de Dom Casmurro momentos antes de sua morte. No meio da noite, um rapaz de uns 18 anos foi à casa de Machado, no Cosme Velho, e pediu licença para ver o mestre.
A residência estava repleta de figuras importantes do meio literário da época, silenciosas e consternadas, enquanto Machado, no quarto, agonizava.
O rapaz entrou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu.
Na sua crônica, Euclides não diz o nome do “anônimo juvenil”, porque, segundo ele, isso importava pouco.
“Qualquer que seja o destino dessa criança, ela nunca mais subirá tanto na vida. Naquele momento, o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo – no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis –, aquele menino foi o maior homem de sua Terra”, escreve Euclides.
Por muitos anos, a identidade do admirador precoce do “Bruxo do Cosme Velho” permaneceu anônima.
Seria revelada por Lúcia Miguel Pereira, biógrafa de Machado de Assis: Astrojildo Pereira Duarte da Silva, o rapaz que reverenciou Machado no seu leito de morte, se tornaria na maturidade um importante intelectual, além de respeitado propagador do pensamento marxista no Brasil. 
Acesse também:
• A última visita, crônica de Euclides da Cunha
• Visita ao Bruxo, na Revista de História da Biblioteca Nacional
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