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Arquivo de 15 de Junho de 2008

O rapaz que reverenciou Machado em seu leito de morte

A reverência de um anônimo juvenil

Quem foi o rapaz que reverenciou Machado no seu leito de morte


 

O Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, publicou, em 30 de setembro e 1º de outubro de 1908, uma crônica de Euclides da Cunha intitulada A última visita. Nela, Euclides menciona uma visita misteriosa ao autor de Dom Casmurro momentos antes de sua morte. No meio da noite, um rapaz de uns 18 anos foi à casa de Machado, no Cosme Velho, e pediu licença para ver o mestre.

A residência estava repleta de figuras importantes do meio literário da época, silenciosas e consternadas, enquanto Machado, no quarto, agonizava.

O rapaz entrou. Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois por algum tempo ao peito. Levantou-se e, sem dizer palavra, saiu.

Na sua crônica, Euclides não diz o nome do “anônimo juvenil”, porque, segundo ele, isso importava pouco.

“Qualquer que seja o destino dessa criança, ela nunca mais subirá tanto na vida. Naquele momento, o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo – no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis –, aquele menino foi o maior homem de sua Terra”, escreve Euclides.

Por muitos anos, a identidade do admirador precoce do “Bruxo do Cosme Velho” permaneceu anônima.

Seria revelada por Lúcia Miguel Pereira, biógrafa de Machado de Assis: Astrojildo Pereira Duarte da Silva, o rapaz que reverenciou Machado no seu leito de morte, se tornaria na maturidade um importante intelectual, além de respeitado propagador do pensamento marxista no Brasil.

Acesse também:

A última visita, crônica de Euclides da Cunha

Quem foi Astrojildo Pereira

Visita ao Bruxo, na Revista de História da Biblioteca Nacional

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Machado de Assis na abertura da Academia Brasileira de Letras

Está aberta a sessão

Discurso de Machado de Assis, em 20 de julho de 1897


 

A 20 de julho de 1897, numa sala do Pedagogium, na Rua do Passeio, Centro do Rio de Janeiro, realizou-se a sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras. Estiveram presentes dezesseis acadêmicos. Machado de Assis abriu a sessão. Rodrigo Otávio, 1º secretário, leu a memória histórica dos atos preparatórios. Joaquim Nabuco, secretário-geral, pronunciou o discurso inaugural. A seguir, o discurso de Machado de Assis.

Senhores,

Investindo-me no cargo de presidente, quisestes começar a Academia Brasileira de Letras pela consagração da idade. Se não sou o mais velho dos nossos colegas, estou entre os mais velhos. É simbólico da parte de uma instituição que conta viver, confiar da idade funções que mais de um espírito eminente exerceria melhor. Agora que vos agradeço a escolha, digo-vos que buscarei na medida do possível corresponder à vossa confiança.

Não é preciso definir esta instituição, iniciada por um moço, aceita e completada por moços, a Academia nasce com a alma nova, naturalmente ambiciosa. O vosso desejo é consertar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância. A Academia Francesa, pela qual esta se modelou, sobrevive aos acontecimentos de toda casta, às escolas literárias e às transformações civis. A vossa há de querer ter as mesmas feições de estabilidade e progresso. Já o batismo das suas cadeiras com os nomes preclaros e saudosos da ficção, da lírica, da crítica e da eloqüência nacionais é indício de que a tradição é o seu primeiro voto. Cabe-vos fazer com que ele perdure. Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.

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