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The Delighted States, de Adam Thirlwell

The Delighted States, de Adam Thirlwell

Estudo de jovem escritor inglês sobre mestres inovadores da narrativa inclui Machado de Assis


O título do novo livro do inglês Adam Thirlwell é The Delighted States, algo como Os estados encantados. Como subtítulo lê-se: A Book of Novels, Romances, & Their Unknown Translators, Containing Ten Languages, Set on Four Continents, & Accompanied by Maps, Portraits, Squiggles, Illustrations, & a Variety of Helpful Indexes.

Creio não ser necessário traduzí-lo neste momento. Comentarei apenas que se um livro, como dizem, começa a ser lido pela capa, me parece que Thirlwell (tem 30 anos) apreendeu uma lição, e compreende que “leitores”, em um sentido mais geral (e operacional) do termo, nestes tempos tecnológicos que vivemos, serão humanos e máquinas. Explico: se levarmos em conta as ferramentas de busca (lideradas pelo Google, mas também embutidas em quaisquer livrarias on-line), que classificam as páginas retornadas em nossas pesquisas, com base em um índice de palavras-chave associadas a essas páginas, observaremos que os subtítulos dos livros de Thirlwell (nascido em 1978 e citado na prestigiada (e prestigiosa) Granta Best of Young British Novelists, de 2003) tem um propósito para além da (ineficaz) tentativa de reproduzir algo comum em tratados do século XVIII (como acredita Michael Dirda, do Washington Post) ou resumir seus conteúdos.

Mr. Thirlwell estreou com o romance Politics (no Brasil, Política, em edição da Companhia das Letras) que foi bem recebido pela crítica. Agora, leio no New York Times e no Washington Post que Adam Thirlwell acaba de lançar pela editora Farrar Straus Giroux, divisão da Macmillam, o The Delighted States.

Neste ensaio, Thirlwell se debruça sobre as obras de mestres inovadores da narrativa.

Os livros também são links. Adam Thirlwell, parece-me, estende esse conceito em The Delighted States (ao menos, pelo que leio na resenha que a editora publica em seu site):

Após dormir com uma prostituta no Egito, um jovem romancista francês chamado Gustave Flaubert abandona o sentimentalismo e começa a escrever. Influencia o obscuro escritor francês Édouard Dujardin, que é lido por James Joyce no trem para Trieste, onde irá ensinar inglês para o romancista italiano Italo Svevo. De volta a Paris, Joyce pede a Svevo para entregar as notas de Ulysses, que será lido por Gertrude Stein, cuja primeira história publicada é baseada em outra de Flaubert.

Fecha-se o círculo? Muito pelo contrário. O livro de Thirlwell, em suas mais de 500 páginas, medita sobre o estilo na ficção, e busca seus exemplos naqueles que romperam barreiras, os mestres da narrativa inovadora: Cervantes, Sterne, Diderot, Tolstoy, Flaubert, Joyce, Kafka, Nabokov and Bellow, Italo Svevo, Bruno Schulz, Bohumil Hrabal, Witold Gombrowicz, Georges Perec e Joaquim Maria Machado de Assis.

Ao labiríntico livro de Adam Thirlwell, penso, merece ser dada uma chance, apesar das críticas contundentes do Washington Post e pessimismos do New York Times.

Lerei The Delighted States (já devidamente encomendado através da Amazon) e o comentarei aqui no Pontolit nas próximas semanas.

Acesse também:

Michael Dirda on ‘The Delighted States’

A Portrait of the Critic as a Delirious Young Man



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