pontolit

Arquivo de Janeiro de 2010

(REVISANDO) O Coração de Santos-Dumont

Em 23 de maio, celebra-se no Estado de São Paulo o Dia da Juventude Constitucionalista. É uma homenagem aos estudantes paulistas Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C. é o acrônimo pelo qual se tornou conhecido o levante revolucionário paulista) e a Orlando de Oliveira Alvarenga, mortos pelas tropas federais num confronto ocorrido em 23 de maio de 1932 (Orlando, alvejado neste dia, morreria em 12 de agosto do mesmo ano).

Pois foi em plena Revolta Constitucionalista que faleceu Alberto Santos-Dumont, no dia 23 de julho 1932, aos 59 anos. Eram dias conturbados. Decidiu-se então, que seu corpo seria embalsamado para que mais tarde, com os ânimos menos acirrados, este pudesse ser transferido de São Paulo para o Rio de Janeiro e, com o país lhe prestando as devidas homenagens, Santos-Dumont pudesse ser sepultado no mausoléu da família, que ele mesmo ajudara a construir poucos anos antes, no cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo.

O médico responsável pelo embalsamamento, Dr. Walther Haberfeld, resolveu remover o coração do inventor. Guardou-o por vários anos. Em novembro de 1944, por intermediação de Paulo Gomide, na época gerente da Panair do Brasil (subsidiaria brasileira da Companhia Aérea Pan American Airways), o coração conservado, foi doado ao governo brasileiro, dentro de uma esfera dourada de aproximadamente 10 polegadas protegida pela figura alada de Ícaro.

O escrínio, criação do designer Erico Monterosa, contendo o coração de Santos-Dumont, preservado em líquido especial, há mais de 60 anos, encontra-se guardado no Museu da Aeroespacial no Rio de Janeiro. A Time Magazine, edição de 20 de novembro de 1944, no artigo The Heart of Santos-Dumont, informava sobre a doação.

O escrínio pode ser visto no MUSAL (Museu Aeroespacial) que fica na Av. Marechal Fontenelle, 2000, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, RJ. Tels. para contato: (21) 2108-8954 - (21) 2108-8955.

Esta e outras histórias surpreendentes a respeito de Alberto Santos-Dumont podem ser encontradas em Santos Dumont Número 8, O Livro das Superstições, de C. S. Soares.

Sem comentários »

(REVISANDO) Sobre literatura tecnologia

Ainda acho que todas essas discussões e “apanhados gerais”, como o ‘thriller in ten chapters’ de McCrum, se confortam (tenho minhas dúvidas), infelizmente não nos respondem às principais questões.

Há poucos dias, escrevendo sobre a história do ‘@’, ou de como ele foi parar nos endereços de e-mail, e como estes revolucionaram a comunicação dos seres humanos seja no âmbito profissional ou pessoal, me perguntei sobre se alguém ainda veria sentido no envio de cartas em papel.

Sabemos que elas não acabaram, e vão demorar muito para acabar. Mas, em relação aos livros, me parece, a resistência tem sido muito grande em adotarmos uma mentalidade mais “revolucionária”, um novo paradigma.

Literatura, como conhecemos, se “adaptada” ao novo meio, não deixará de ser a mesma literatura de sempre em um meio novo.

Ingenuidade nossa (e de McCrum) achar que “fazer a mesma literatura de sempre” poderia representar algo diferente trocando-se o “dispositivo de armazenamento” em papel por telas.

A internet é antes de tudo um meio de comunicação e multimidia.

Apropriada para a emissão e recepção de qq tipo de msg, seja em que formato digital for. Texto, imagem, áudio, vídeo, escolha.

O workflow das idéias, da imaginação do escritor à imaginação do leitor, está mudado para sempre. As estruturas de poder, de certa forma, mais dia menos dia, tb deverão ser impactadas.

A Microsoft (que incluive, por estes dias, decretou o fim do seu projeto Live Books Search) não será uma editora, mas os editores precisarão entender de tecnologia, afinal todos nós que vivemos nesse raiar da Sociedade da Informação, cada vez mais, seremos exigidos e desafiados como “knowledge workers”.

Os escritores também, claro.

Mas isso, como li recentemente de Rudyard Kipling (a tecnologia, não é de hoje, seduz e angustia), não significará nada, nada mesmo, de novo.

Quer dizer, pelo menos enquanto insistirmos em pensar da mesma (e velha) maneira.

Sem comentários »

Próxima Página »