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Evanildo Bechara, o mestre de todos nós, completa 80 anos

Evanildo Bechara, O mestre de todos nós, é pernambucano. Ainda adolescente veio do Recife para o Rio de Janeiro, compelido por uma precoce orfandade, filho de pai árabe e mãe maranhense, para concluir a formação na companhia de um tio-avô, também pernambucano. A vocação para o magistério apresentou-se cedo.

Embora voltado inicialmente para os segredos da matemática, a necessidade de atender aos pedidos de colegas menos preparados a ministrar-lhes aulas de português e latim lhe atirou, segundo suas próprias palavras, aos segredos, mistérios e potencialidades da língua de Machado de Assis e de Virgílio.

Cursou Letras Neolatinas na Faculdade do Instituto Lafayette (Hoje UERJ), bacharelado e licenciatura. Aos 15, conheceu o mestre Said Ali, com 82, a partir daí trilhou o caminho dos estudos linguísticos.

O primeiro ensaio, Fenômenos de Intonação, foi escrito aos 17 anos, com prefácio de Lindolfo Gomes. Em 1954, aos 26 anos foi aprovado para a cátedra de Lingua Portuguesa no Colégio Pedro II. Reuniria no livro Primeiros Ensaios de Língua Portuguesa artigos escritos para jornais e revistas especializadas da época.

Entre 1961 e 1962, Estudou em Madrid com Dámaso Alonso. Em 1964, convidado por Antenor Nascentes para ser seu assistente, chega à cátedra de Filologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UEG (atual UERJ). Professor em diversas universidade brasileiras, Evanildo Bechara também foi professor visitante em Colônia, Alemanha e Coimbra, Portugal.

Eleito para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras em 11 de dezembro de 2000, na sucessão de Afrânio Coutinho, foi recebido como acadêmico em 25 de maio de 2001 pelo embaixador Sérgio Corrêa da Costa.

Amanhã, 26 de fevereiro, Evanildo Bechada, o mestre de todos nós, completará 80 anos. Autor de uma gramática que é considerada por muitos a Bíblia da Língua Portuguesa moderna, Evanildo, o mestre, ensina gerações e gerações de brasileiros, há décadas, que o idioma é o que seus falantes fazem dele.

Lembro o poeta Fernando Pessoa que escreveu que sua pátria era sua língua. Sim, nossa pátria é nossa língua. A sua proteção é uma de nossas grandes responsabilidades como brasileiros. Evanildo, o mestre, não nos deixou esquecer que somos uma nação também pelo idioma que cuidamos.

Dentro das comemorações dos 80 anos do querido mestre, a Editora Nova Fronteira lançará no próximo dia 28, às 18h, no Petit Trianon, o livro 80 anos de Evanildo Bechara. A homenagem é organizada por Dieli Vesaro Palma, Maria Mercedes Saraiva Hackerott, Neusa Barbosa Bastos e Rosemeire Leão Silva Faccina, a obra reúne o percurso acadêmico do “eterno estudante” na história da lingüística do Brasil. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo portal da Academia Brasileira de Letras e contará com o discurso do presidente da instituição, Cícero Sandroni.

Professor Bechara, neste data tão especial, seguem, com carinho, nosso agradecimento e votos de muita saúde e felicidades.

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Sidonie-Gabrielle Colette, autora de Gigi

Colette

George Simenon, que segundo Andre Gide foi o maior romancista da França contemporânea, disse em entrevista à prestigiosa Paris Review que apenas um conselho geral (dado por uma escritora) vinha lhe sendo muito útil. Segredou Simenon que na época em que escrevia contos para o jornal Le Matin e Colette era a editora de literatura, dois contos seus foram devolvidos. Simenon revisou e reenviou os contos. Voltaram. Novas revisões, novos reenvios e os contos novamente retornaram. Finalmente, Colette lhe disse: “Olhe, está literário demais, sempre literário demais”. Então, Simenon passou a seguir o seu conselho: cortava adjetivos, advérbios e todas as palavras que estavam no texto apenas para fazer efeito.

Sidonie Gabrielle Colette nasceu em Saint-Sauveur-en-Puisaye, Borgonha, França, em 28 de janeiro de 1873 e pertenceu à geração de Marcel Proust, Paul Valéry, André Gide e Paul Claudel. Foi a autora de Gigi (1944).

Aos 20 anos, Colette casou-se com o impostor Henri Gauthier-Villars. Sua carreira de escritora começou sob o pseudônimo Willy, usado por seu marido. A série de romances Claudine (1900-1903) foi escrita sob o julgo de Gauthier-Villars. Conta-se que Colette era mantida presa em cárcere privado de onde só saia quando entregava ao marido um número mínimo de páginas escritas.

Separou-se em 1905. No ano seguinte realiza performances em La Chatte Amoureuse e L’Oiseau de Nuit. Inicia relação homossexual com Mathilde de Morny, Marquesa de Belbeuf, apelidada de Missy, que patrocinava eventos no Moulin Rouge e era descendente em linha direta da imperatriz Josefina. Missy passa a ser sua protetora. Em 1910, publica La vagabonde.

Em 1912 Colette casa-se com Henri de Jouvenel des Ursins, editor do jornal Le Matin. Escreve crônicas e contos para o jornal. Após a guerra, em 1920, foi condecorada Chevalier dans l’Ordre de la Légion d’Honneur. Foi a primeira mulher a ser admitida na prestigiosa Academie Goncourt. Em 1953, Colette torna-se Grand Officier de la Légion d’honneur. Em 1935, casou-se com Maurice Goudaket. Sofreu de artrite em seus últimos anos. Faleceu em Paris, no dia 3 de agosto de 1954. Foi velada com honras de chefe de estado apesar da Igreja ter lhe recusado ritos católicos (o motivo alegado foi o fato de ser divorciada).

Colette foi uma mulher a frente de seu tempo. Sua fama na França não foi menor do que as de Gertrude Stein (1874-1946) e Edith Piaf (1915-1963).

Acesse as obras de Colette no Project Gutenberg (inglês e francês).

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