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O primeiro hino do Fluminense Football Club

O primeiro hino do Fluminense Football Club

Coelho Netto compôs a letra sobre a melodia de “It’s a Long Way to Tipperary”, canção popular durante a Primeira Guerra Mundial


Na foto acima, vemos o escritor Coelho Netto e o time do Fluminense campeão carioca de 1906. Agora, falemos do hino.

Conta-se que o primeiro hino do Fluminense Football Club (a letra é do acadêmico Coelho Netto, um torcedor apaixonado do clube, sobre a melodia de “It’s a long, long way to Tipperary”) foi cantado pela primeira vez em 23 de julho de 1915, portanto, há mais ou menos 93 anos.

Inclui os seguintes versos: “ Ninguém no clube se pertence, a glória aqui não é pessoal. Quem vence em campo é o Fluminense. Que é, como a Pátria, um ser ideal.”


“It’s a Long Long Way To Tipperary”, na voz de John McCormick

Tipperary é uma cidade no sudoeste do Condado de Tipperary, Irlanda. “It’s a Long Way to Tipperary” (”É um longo caminho a Tipperary”) é uma marcha composta por Jack Judge e Harry Williams (Henry James Williams) popular durante a primeira guerra mundial entre os soldados brintânicos. O refrão ficou bastante conhecido:

It’s a long way to Tipperary,
It’s a long way to go.
It’s a long way to Tipperary
To the sweetest girl I know!
Goodbye Piccadilly,
Farewell Leicester Square!
It’s a long, long way to Tipperary,
But my heart’s right there.

Em outra passagem do primeiro hino do “Tricolor das Laranjeiras”, a letra de Coelho Netto antecipa, “… onde a alma assista, na arena como na vida”.

Pois a arena, hoje, amigos tricolores, é no Estádio Mário Filho, o Maracanã.

Fluminense Campeão da Libertadores 2008: EU ACREDITO!

A seguir a letra do primeiro hino do Fluminense Football Club.

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As palavras sem fronteiras (*), uma homenagem à memória de Sérgio Corrêa da Costa

Aura, babel, continuum, habitat, incógnito, oásis, querubim, samba, sertão, vitrine. Certas palavras ultrapassam as fronteiras dos países onde nasceram. Certas palavras possuem vocação cosmopolita, circulam pelo mundo e acabam por integrar uma espécie de vocabulário global. Palavras que aproximam culturas e são acessíveis (por definição) ao grande público em qualquer latitude e são instrumentos de integração, verdadeiros tesouros da diversidade.

Palavras que se originam de uma língua, se insinuam em todas as demais e acabam por se tornar de uso virtualmente universal como observado por Maurice Druon, da Academia Francesa, no prefácio do livro Palavras sem fronteiras do embaixador e acadêmico Sergio Corrêa da Costa, que apresenta, em suas mais de 800 páginas, um índice com 3000 palavras e expressões e 16.000 exemplos de uso dessas palavras, recolhidos em 15 países em 8 línguas, que refletem 46 idiomas.

O livro, resultado de uma pesquisa lingüística sobre vocábulos de uso internacional, foi editado originalmente em 1999 na França pelas Éditions du Rocher com o título de Mots sans Frontières e ganhou o Grand Prix do Institut de France no mesmo ano. No Brasil, foi publicado em 2000 pela editora Record.

As palavras sem fronteiras agora também extrapolam os limites físicos do papel e se transformam em avatares da identidade de povos e nações, se reproduzem e adquirem formas, fragmentos metódicos cuja reconstrução é articulada através da ocupação dos diversos espaços da Biblioteca Rodolfo Garcia da Academia Brasileira de Letras, centro bibliográfico contemporâneo, através de recursos tecnológicos e interativos de última geração.

Estive lá, na noite de 31 de maio, uma quinta-feira, para interagir com a programação multimídia Palavras sem fronteiras – Mídias Convergentes (**) baseada no livro de Sergio Corrêa da Costa, aberta ao público até 29 de junho. O evento (prefiro chamá-lo de interação) tem por finalidade mostrar o trânsito de diferentes palavras por diversas línguas, mantendo o mesmo significado original, constituindo uma prova inegável da interação planetária, da identidade entre povos e nações, união (pela comunicação) de fronteiras, etnias, memórias, tradições e valores.

As faces dinâmicas de Palavras sem fronteiras – Mídias Convergentes são várias, mas principalmente três, e elas estendem os limites físicos do livro-pesquisa de Sérgio Corrêa da Costa.

A primeira face localiza-se no hall da biblioteca, onde duas telas de plasma de 42 polegadas apresentam imagens referentes à vida do autor, dados biográficos, fotos, capa, trechos, ensaios e análises do livro. A segunda face (a que sintetiza a abordagem do tema) utiliza-se de projeções sincronizadas que envolvem a todos em um ambiente quase holográfico, onde as palavras e seus significados contextuais literalmente flutuam no espaço, ocupando o piso, as paredes, os visitantes, que penetram esse ambiente interativo ao atravessarem a imagem (bastante apropriada) de um planisfério, mergulhando no mar de palavras, imagens, palavras-imagens, sincronizadas, transbordantes, sinestésicas, que chegam de todos os lugares, preenchendo o ambiente desses fragmentos de Babel que se misturam, esfumaçando os limites (supostamente) impostos pela realidade, da qual somos apenas um background de camadas variadas de palavras, nesse palimpsesto cúbico e digital regulado, cuidadosamente, em sua opacidade.

Na galeria de vídeo-arte instalada na sala especial multimídia da biblioteca são apresentando vídeos sobre o tema, concebidos por doze artistas brasileiros contemporâneos. Cada artista convidado interpreta simbolicamente e criativamente uma palavra, selecionada do livro de Sérgio, considerando além dos aspectos artísticos, a fidelidade ao conceito e aos componentes sócio-culturais contidos na proposta. Na sala de consulta informatizada, uma versão digital do livro pode ser nevegada através da tecnologia da empresa carioca DocPro.

Completando a programação, no dia 4 de junho, às 11h, foi realizada uma vídeo-conferência, coordenada por Marcos Vinicios Vilaça, presidente da ABL, entre acadêmicos brasileiros e lingüistas e especialistas franceses conectados ao vivo, da Maison de l’UNESCO em Paris. O lado brasileiro da conversa-debate sobre as artes e artimanhas da obra do diplomata esteve sob a responsabilidade dos acadêmicos Evanildo Bechara, Arnaldo Niskier e Nélida Piñon. Na França integraram o painel de debates os especialistas Jean Pruvost, Xavier North, Delegado-geral da língua francesa e das línguas da França, Ernesto Bertolaja, Secretário-Geral da União Latina (coordenador da vídeo conferência na França) e a professora doutora Henriette Walter, lingüista francesa e diretora do Laboratório de Fonologia da Universidade de Paris (Sorbonne).

Palavras sem fronteiras - Mídias convergentes, tal qual um labirinto, não se esgota em si mesma. Não há como sair dessa estrutura labiríntica (ainda que ela não admita uma conclusão) impassível. Talvez, estejamos redescobrindo que todos os povos, no fundo, falam a mesma língua. Homenageando-se a memória do acadêmico Sergio Corrêa da Costa também são homenageados todos aqueles que contribuem para a promoção e o engrandecimento da cultura brasileira, além de se transmitir ao público idéias fundamentais de integração e comunhão através da palavra, a partir do conceito da própria obra.

(*) Texto originalmente publicado em A Última Biblioteca
(**) A exposição aconteceu em 2007

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