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Leetspeak: Anna Claudia Ramos, escritora, organizadora de Quando tudo acontece de repente

A adolescência é a fase da vida em que, num piscar de olhos, tudo parece mudar. Então, o mundo fica meio complicado e tudo que se quer são explicações. Em “Quando tudo acontece de repente” (Larousse, 2008), organizado pela escritora e ilustradora Anna Claudia Ramos, seis contistas falam dos sentimentos, dúvidas e vazios que ocorrem na vida dos adolescentes. Conversamos com Anna Claudia sobre o lançamento do livro, marcado para 31 de maio, 15h, durante o 10º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no MAM, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.


Por Patrícia Sotello

PONTOLIT: “Quando tudo acontece de repente” faz parte da Coleção “Entretempos” que você idealizou para a Larousse. Como surgiu a idéia dessa coleção?

ANNA CLAUDIA RAMOS: A idéia da coleção nasceu durante uma das minhas aulas de criação literária. Aulas que acontecem aqui no meu Atelier, que se chama Vila das Artes. Não me lembro bem por que, mas um dia começamos a falar sobre forças invisíveis que atuam sobre nós, sobretudo sobre os jovens. Chamamos de forças invisíveis, as coisas que não vemos, mas que estão ditando regras, padrões, como moda, sexo, consumismo… Aí começamos a pensar como que é complicado manter sua individualidade numa sociedade tão pautada em padrões de beleza e cada vez mais frenética em relação ao imediatismo do consumo. Queríamos fazer um livro que falasse sobre temas juvenis, mas pautado nos sentimentos, no lado de dentro de cada um. Como um fio puxa outro, imaginamos escrever contos que falassem sobre estes assuntos. A idéia de criar uma coleção só veio mais para o final, quando percebemos que tínhamos muitos contos para fazer um livro só. Resolvemos criar dois e propor uma coleção para a editora.

P: “Quando tudo acontece de repente” é composto por contos de diferentes autoras. Como se deu a escolha dos textos?

ACR: Eu escolhi primeiro as autoras, que eram minhas alunas de oficina literária, a única turma que ainda mantenho aqui no meu Atelier. Mas também convidei autoras que foram minhas alunas, como a Sandra Pina e a Lila Maia. Elas não participaram do processo de encontros semanais, mas enviaram seus contos que foram lidos e debatidos. Mas para dar início aos trabalhos de produção, fizemos uma lista de temas e cada uma escolheu um tema ou sugeriu algo novo. Escreveram contos para este livro, além de mim, Flávia Côrtes, Marilia Pirillo, Sandra Pina, Sueli Boson e Lila Maia. Estreantes na Literatura Infantil e Juvenil só a Lila Maia e a Sueli Boson. Flávia, Sandra, Marilia e eu já temos livros publicados. Marilia também é ilustradora.

P: Fale um pouco sobre a temática do livro e a quem ele se destina.

ACR: Este livro se destina a pré-adolescentes, escrevemos pensando neste público, mas garanto que muito adulto vai se identificar com as histórias, ou porque já passou pelo que contamos, ou porque está passando, caso tenha filhos nesta idade. Queríamos um livro que falasse sobre temas que fazem parte das perguntas que todos os jovens se fazem, mesmo sem se darem conta. Estes contos são contos para o jovem, com uma linguagem solta, gostosa, mas não queríamos fazer um livro vazio, optamos por falar pelo que se passa do lado de dentro de cada adolescente. Mas queríamos um livro com qualidade literária e não apenas um livro cheio de modismos juvenis. Por isso, passamos mais ou menos uns oito meses produzindo este material. Lemos, relemos e ajustamos os textos muitas vezes, até acharmos que estava pronto. Só entregamos para a editora no dia em que nos demos por satisfeitas.

P: Quando e onde será o lançamento do livro?

ACR: O lançamento será dia 31 de maio, às 15h, durante o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens que está acontecendo no Museu de Arte Moderna, o MAM.

P: Já tem projeto para o próximo título da Coleção?

ACR: Já está pronto e está em fase de produção. Vai sair no segundo semestre e se chama “Alguns segredos e outras histórias”, mas tem duas autoras diferentes do primeiro volume. No segundo volume não tem nenhum conto da Lila Maia e nem da Sandra Pina, no lugar delas entram Tereza Malcher e Myryam Ruth Coelho.

“Algumas histórias deviam ser contadas sempre”, porque quando se conta uma história, se divide uma experiência. É nessa hora que se vê que frases como: “Não agüento mais”, “Lá está ela de novo”, “Você é mesmo muito sortuda”, “Devo estar ficando maluco”, “Tinha virado seu programa favorito” são emitidas por muito mais gente do que a gente pensa. Afinal, todo mundo passa ou passou pelas mesmas inseguranças e questionamentos por que estamos passando. E como é bom saber que não se está sozinho e, principalmente, que tem gente que entende a gente. Gente como Anna Claudia, Flávia, Lila, Marilia, Sandra e Sueli que, mais do que abordar temas atuais e próprios da adolescência, sabem como tratar esse período com a sensibilidade e o respeito que ele merece.

Quando tudo acontece de repente
Editora: Larousse do Brasil
ISBN: 9788576352860
Ano de edição: 2008
Coleção: ENTRETEMPOS
Organizadora: Anna Claudia Ramos
Autoras: Anna Claudia Ramos, Flávia Côrtes, Marilia Pirillo, Sandra Pina, Sueli Boson e Lila Maia.
Ilustrador: Daniel Kondo

Acesse também:

Site da escritora e ilustradora Anna Claudia Ramos

• Compre o livro “Quando tudo acontece de repente”

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Leetspeak: Lilia Alves, idealizadora do Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens

Lilia Alves é educadora de formação, com especialização em Sociologia e Desenvolvimento de Relações Interpessoais pela FGV/RJ. Foi sócia da editora LTC durante 25 anos. Nesse período, criou o Centro de Ensino de Desenvolvimento Gerencial (CEDEG/LTC) pelo qual, por 10 anos, ministrou cursos em empresas nas áreas de Relação Interpessoal, Desenvolvimento Gerencial e Administração de Conflito, experiência que a levou, por convite, ao Setor de Vídeoconferência da Academia Brasileira de Letras. Lilia também trabalhou na Biblioteca Nacional e no SNEL (patronal) e fez parte do Conselho Curador da FNLIJ onde, há dez anos, idealizou o Salão do Livro para Crianças e Jovens cuja décima edição acontece no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro até 1º de junho.


Por Patrícia Sotello

Lilia começa a entrevista, na verdade uma agradável conversa, pedindo para que seja esclarecido que, hoje, não faz mais parte da equipe da FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, apesar de ainda manter um estreito contato com a Instituição. Atualmente, ela se dedica em tempo integral ao trabalho na Academia Brasileira de Letras. É evidente o imenso respeito que tem pela FNLIJ, principalmente nas figuras de Beth Serra e Laura Sandroni. Entretanto, por ser a idealizadora do Salão do Livro para Crianças e Jovens, aceitou contar ao Pontolit como tudo aconteceu.

Lilia se emociona ao lembrar a época em que o Salão do Livro foi criado: “Eu fazia parte do Conselho Curador da FNLIJ e, por isso, acompanhava o andamento das atividades da Fundação, assim como as dificuldades financeiras que surgiram a partir do Plano Collor.” Há pouco mais de dez anos, a instituição vivia momentos difíceis, tamanhos eram os problemas financeiros por que passava.

Lilia, uma “filha de Lobato”, compreendia a importância da leitura na construção do cidadão crítico. Achava injusto que, depois de tanto esforço conjunto e de todas as conquistas obtidas pela FNLIJ, a Instituição estivesse naquela situação. Já havia, inclusive, o reconhecimento de uma Literatura Infanto-Juvenil Brasileira de excelência: Lygia Bojunga Nunes havia obtido o Prêmio Hans Christian Andersen, em 1982, por indicação da FNLIJ ao IBBI – International Board on Books for Young People.

A solução surgiu de uma forma inusitada: “Uma noite, no meio da madrugada, acordei com a idéia de um evento voltado apenas para a Literatura Infanto-Juvenil, com o propósito de promover a leitura.” - conta Lilia, com cara de menina levada. Lilia imaginou um imenso salão onde crianças fascinadas teriam acesso aos livros e poderiam interagir com ilustradores e contadores de histórias. Pensou ainda, que, para facilitar o acesso, poderia ser no MAM – Museu de Arte Moderna -, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Como Lilia fazia parte do SNEL - Sindicato Nacional dos Editores de Livros -, tinha contato com editoras de todo o Brasil, o que tornava a idéia factível.

A idéia foi apresentada e aprovada pela equipe da FNLIJ. Foram então à luta. Entraram em contato com as editoras que, em número significativo, aderiram à idéia, e o 1º Salão do Livro para Crianças e Jovens foi montado há dez anos. Lilia conta ainda: “No segundo ano, já tínhamos o patrocínio da Petrobrás. Desde então, a empresa continua promovendo o Salão, que tem nesta sua 10ª edição, mais um novo patrocinador, a Caixa Econômica Federal.” Depois disso, a FNLIJ retomou o folego e pôde assistir à Ana Maria Machado também receber o Prêmio Hans Christian Andersen pelo conjunto de sua obra, em 2000!

Quando perguntada se imaginava que o Salão do Livro fosse tomar as proporções que tem hoje em relação à sua importância na formação do pequeno leitor, Lilia responde: “Eu acreditava no sucesso do Salão junto aos jovens como estímulo visual, além de ter certeza de que o hábito de leitura inicia-se na criança. Esta é a bandeira da Fundação. O que ainda me emociona na FNLIJ é que há uma dinâmica de emoção e a grande possibilidade do livro de Literatura Infanto-Juvenil ter qualidade cada vez maior. ‘Sem dever nada a ninguém’.”

Finalizando a conversa, Lilia deixa clara sua preocupação com as crianças provenientes das comunidades carentes do Rio de Janeiro, as do interior do Brasil e, inclusive, as indígenas, para quem o acesso ao livro é mais difícil. Por isso, tem um sonho: “Mais bibliotecas pelo Brasil e mais leitores para elas.” Entretanto, comemora a participação de autores indígenas no Salão, já pelo 5º ano: “Acho ótimo. Essa terra é deles. Eles já estavam aqui quando chegamos. Sofreram com a chegada do ‘homem branco’, que tentou destruir sua cultura. Hoje, eles participam do Salão contribuindo não apenas em encontros e palestras, mas com Literatura Infanto-Juvenil Indígena. Há autores indígenas muito bons.”

Saiba mais sobre o 10º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens :

Local: MAM – Museu de Arte Moderna
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 Parque do Flamengo RJ
Tel.: (21) 2240-4944
Data: De 21 de maio a 1º de junho de 2008
Horário: Segunda a sexta, das 8:30h às 18:00h; sábados, domingos e feriado, das 10:00h às 20:00h
Ingresso: R$ 3,00 (gratuidade para maiores de 65 anos, portadores de deficiência e professores da Rede Municipal de Ensino)
FNLIJ • Tel.: (21) 2262-9130 / www.fnlij.org.br

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