pontolit

Arquivo da categoria ‘livros 2.0’

A Literatura “Orientada a Objetos” (*)

A Literatura “Orientada a Objetos” (*)

Literatura na web é serviço, ou seja, software: um processo com entradas, saídas, interatividade e personalização


Pense em um editor de texto: como o Microsoft Word ou o OpenOffice Writer, por exemplo. Agora, responda: afinal de contas, o que é um editor de textos?

1] O software que operamos?
2] O seu código binário (que interage com o hardware)?
3] O uso que dele fazemos (com o qual nosso intelecto interage)?
4] Os “produtos” que dele são gerados?

Imagine que agora esse software é um texto literário (ou qualquer outro) na Web…

O que é esse texto?

1] O romance, conto etc com o qual interagimos?
2] O código binário (bytes, ASCII, HTML) que o constitui digitalmente (processado por hardware/software)?
3] O uso que fazemos dele (processado por nosso intelecto)?
4] O uso que a máquina faz dele (com o qual seus processadores e algoritmos interagem)?
5] Seus “produtos” (entretenimento, informação, aprendizagem)?

Literatura (como tudo na web) é serviço: informação, entretenimento, comércio etc. Serviços são processos (software?), entradas, saídas, interação (com o homem e com a máquina) e personalização.

Lembro aqui a frase de Rosental Calmon Alves, a respeito do jornalismo na Web, mas que também pode ser aplicada à Literatura: “O jornalismo deixa de ser um sermão para ser uma conversação, um diálogo, sem que isso represente o fim do jornalista”.

A Literatura (mapeada ou não) na web também é diálogo. O escritor não morre, mas transmuta, assim como editores, leitores e, claro, a própria Literatura.

A Literatura só tem sentido pela existência do leitor e é direito desse leitor ler e não ler. Se lê, deve ler o que quer, como e quando quiser, afinal, a leitura é onde (e quando) ele, o leitor, se realiza.

Agora, as ferramentas interativas e personalizáveis, em suma o software, permite que ele controle mais esse ambiente. O software absorve (e molda) os hábitos de seus usuários.

Falamos de Web, mas muitas vezes esquecemos um detalhe importante: não há nada de novo. A web e outras aplicações gráficas baseadas em “janela”, em “point and click” de mouses, são representações do paradigma da “Orientação a Objetos” que está no sangue dos projetistas e desenvolvedores de software há, pelo menos, 30 anos.

O meio, sabemos desde McLuhan, influencia a mensagem. A “Orientação a Objetos” está no cerne do Windows, da Web, da Social Web, e de tudo o mais que daí for gerado, inclusive, textos literários.

Em suma, o que digo é que os “objetos” estão aí, percebidos ou não. Isso não é importante. O que realmente precisamos saber é até onde queremos e permitiremos (se tivermos coragem) que nossa imaginação nos leve. Precisamos passar a “página”, ou ainda, o “paradigma de páginas”, como o chamou Ted Nelson.

Queremos fazer da web, um ambiente familiar. Se estamos habituados com livros e páginas, queremos que a Web também o seja. Isto é um erro. A web pode ser mais. A web, como nosso próprio pensamento, é associativa, hipertextual, não-seqüencial.

Se o pensamento, como dizem os budistas, é construtor, como se constrói o pensamento?

Com a Web, caros, nossa dúvida é a mesma: nos apoderamos de um invento que ainda (basta notar as evidências) não sabemos como usar. Ou talvez já o saibamos. Mas ainda nos falta a coragem de pensarmos diferente.

* A orientação a objetos é um paradigma de análise, projeto e programação de software baseado na composição e interação entre unidades chamadas de objetos.

Sem comentários »

Dom Casmurro, Wordle e iPhone eReader: aonde o futuro nos trouxe

Dom Casmurro, Wordle e iPhone eReader: aonde o futuro nos trouxe

Livros, esses agregadores sociais, são serviços e os escritores encontrarão novos modelos de criação no meio digital


Sérgio Rodrigues comenta hoje, no blog Todoprosa, o lançamento do eReader Pro for iPhone (e iPod Touch). Em termos de experiência de leitura, a dobradinha iPhone + eReader pouco acrescenta. O eReader é um formato criptografado de eBooks que atende às tais questões de “segurança” e portabilidade (roda em Palm OS, Pocket PC, Symbian Smartphone, Windows, Windows Mobile Smartphone e Mac), mas não representa uma mudança de paradigma, um movimento em direção a enxergar “o livro” não como um produto, mas como um serviço.

Livros, esses agregadores sociais, são serviços. As ferramentas de search, bookmarks etc que usamos nos browsers (leitores universais da linguagem padrão da internet, o HTML) já resolvem os problemas operacionais. Logo, apostar em formatos proprietários, criptografados para proteção de um conteúdo que pode ser digitalizado a qualquer momento é uma resistência estéril.

Os escritores, assim como os músicos, encontrarão novos modelos de criação (assim como editoras e gravadoras encontrarão novos modelos de negócio) apropriados ao meio digital de distribuição.

Em termos de suporte físico, seja o iPhone ou quaisquer outros i* que surjam no futuro, certamente, representará uma convergência de mídias: o celular que servirá para comunicação por voz (o que será apenas mais um detalhe), mas também, em termos gerais, como dispositivo universal de acesso à informação.

A internet realmente muda tudo. Até o nosso relacionamento com os livros. Existem, sabemos, vários tipos de leituras (Mortimer Adler nos apresentou alguns em How to read a book), segue, então, um exemplo de “feature” que, em breve, poderemos receber com os livros digitais.

O Wordle (uma dica de Mario Costa e Cézar Taurion) gera um “word cloud” (ou “tag cloud”) de qualquer texto ou site fornecido.

Vejam aqui um exemplo que a partir do texto completo do romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis, que pode ser lido na íntegra no site do NUPPIL (Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística) da UFSC.

Sem comentários »

Próxima Página »